O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Willie Walsh, afirmou que a elevada carga tributária incidente sobre a aviação brasileira tem prejudicado a competitividade do país e desestimulado a chegada de turistas. A declaração foi feita nesta segunda-feira (8), após o encerramento da Assembleia Geral Anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro.
Segundo o executivo, o excesso de tributos encarece as passagens aéreas, reduz a demanda por viagens e limita o potencial de crescimento do setor. “Impostos altos desestimulam as pessoas a viajar. Desaceleram o ritmo de crescimento”, afirmou Walsh durante conversa com jornalistas.
O dirigente destacou que a preocupação da entidade se concentra especialmente nos efeitos da reforma tributária sobre a aviação. De acordo com estimativas da Iata, a carga tributária aplicada ao setor poderá alcançar 26,5%, cenário que, segundo a associação, teria impacto significativo sobre o mercado.
A projeção da entidade é de que uma eventual elevação dos tributos possa provocar uma retração de aproximadamente 30% na demanda por transporte aéreo, afetando tanto as rotas domésticas quanto os voos internacionais. O resultado, avalia a Iata, seria a redução da conectividade e um ambiente menos favorável ao turismo e aos negócios.
Walsh ressaltou ainda que as companhias aéreas da América Latina operam com margens de lucro reduzidas, o que torna o setor particularmente sensível a aumentos de custos. Nesse contexto, novas cobranças tributárias tendem a ser repassadas aos consumidores, pressionando os preços das passagens.
Dados apresentados pela associação mostram que a América Latina concentra atualmente a maior carga tributária sobre a aviação comercial no mundo. Na região, os impostos representam cerca de 29% do valor final das tarifas aéreas, percentual quase duas vezes superior ao registrado na América do Norte, onde a tributação corresponde a aproximadamente 15% do preço dos bilhetes.
Para o diretor-geral da Iata, governos e setor privado precisam atuar de forma coordenada para ampliar a conectividade aérea e estimular o turismo. Na avaliação da entidade, políticas que reduzam custos e evitem o aumento da carga tributária podem contribuir para tornar as viagens mais acessíveis e fortalecer a competitividade dos mercados da região.
