Taxar “super-ricos” ainda mais é estratégia subdesenvolvida de um governo fracassado - Claudio Dantas
Brasília, Domingo, 21 de junho de 2026
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Taxar “super-ricos” ainda mais é estratégia subdesenvolvida de um governo fracassado

Lula chamando por mais imposto em manifestação de 2 de julho de 2025. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula chamando por mais imposto em manifestação de 2 de julho de 2025. Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Tem milionários e bilionários quem pode. Eles são associados a países prósperos, que tratam o setor produtivo como um colaborador a ser respeitado, não como uma vaca a ser parasitada.

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O Brasil não pode. Segundo a empresa Henley & Partners, 1.200 milionários fugiram do Brasil no primeiro ano do governo Lula 3. O número projetado para este ano é o mesmo.

Estudos diferentes mostram a insensatez de incentivar culturalmente a inveja de rico e afugentá-los do país. Um estudo de 2013 publicado em uma revista de Oxford, por exemplo, mostrou que bilionários só prosperam em ambientes com direitos de propriedade fortes e instituições de mercado eficientes — o que é o exato oposto de governo que incentiva invasores de propriedade como o MST e insanidades fiscais como o aumento do IOF.

Outro estudo, publicado na revista PNAS em 2014, analisou 996 empreendedores bilionários de 50 países e concluiu que a taxa de aparecimento deles tem correlação positiva com maior confiança social, menos impostos, mais investimento de capital de risco, menos regulação, mais patentes e maior índice de inovação. Curiosamente, a correlação com startups e pequenos negócios é negativa.

Para criar bilionários, é necessário ter um ecossistema econômico diversificado, o contrário do que a Venezuela faz, apostando suas fichas no petróleo. E ter mais bilionários, quando sua fortuna não vem de imposto ou conluio com políticos, é desejável.

Por que queremos mais bilionários

É hábito no progressismo e no socialismo tentar transformar a inveja de rico numa virtude, numa preocupação com “desigualdade”. Mas quem se preocupa com a diminuição da pobreza quer mais bilionários empreendedores em seu país, não menos. Exceto, claro, se não forem empreendedores, mas crias do governo.

O tipo empreendedor e inovador de bilionário estimula o crescimento, enquanto os amigos do rei retardam a economia. São as conclusões do economista Jan Svejnar, da Universidade Columbia.

Segundo um levantamento da revista Forbes em 2023, há 2.640 bilionários no mundo. É um bilionário para cada 34 milhões de pessoas. O Brasil teria 69, mas muitos deles vivem fora do país, como Eduardo Saverin, que participou da fundação do Facebook. Os Estados Unidos têm 813. Eles são um marcador de prosperidade econômica.

A ideia dos progressistas e socialistas é que a fortuna dos bilionários é tomada de outras pessoas de forma injusta. O que é uma inversão quase completa da realidade. Porém, curiosamente, é exatamente isso o que acontece quando suas políticas de inchaço de Estado são seguidas, pois são políticas que geram amigos do rei e “campeões nacionais” cujas fortunas, de fato, virão ou de impostos, ou de conluio com políticos.

A escritora J. K. Rowling é uma bilionária porque inventou uma história sobre o bruxo Harry Potter. Qual parte disso envolve tomar algo de alguém? A esquerda que estimula inveja de ricos não tem resposta para essa pergunta. Não há nenhuma parte errada, não que seja óbvia, na forma como a autora enriqueceu.

Uma estratégia dos invejosos é fingir que a categoria “bilionários” é estática. Isso é uma mentira. Quando pesquisadores do Instituto Cato compararam os bilionários da lista da Forbes em 1982 à lista de 2014, descobriram que só 17% eram as mesmas pessoas ou seus herdeiros. A mentira da lista estática é uma das premissas não confessadas das reclamações anuais da organização Oxfam sobre suposto aumento da desigualdade. Se a riqueza extrema é um pódio dinâmico ocupado por poucos, mas por pouco tempo, isso enfraquece o argumento igualitário e fortalece o argumento meritocrático.

Os países muçulmanos são mais pobres que a cristandade até hoje. Os motivos são vários, mas se concentram em questões como leis religiosas que dificultam o acúmulo de riqueza e o investimento no futuro. Quando um sócio de um negócio morre, a lei religiosa prevê que todo o negócio precisa ser dissolvido. Sem investimento a longo prazo, a prosperidade é difícil. E os “super-ricos” são os principais poupadores.

Um estudo de Fabrício Pitombo Leite, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mostrou que, no Brasil, enquanto cada real adicional de renda dos 92% mais pobres termina num gasto adicional de 91 centavos, os 8% mais ricos gastam entre 52 e 62 centavos, poupando e reinvestindo o resto no futuro.

Em 2004, o economista William Nordhaus, que foi laureado com o Nobel em 2018, calculou quanto do lucro dos bilionários inovadores fica com eles. Ele incluiu meio século de estatísticas no cálculo. Conclusão: 2,2%. Nem patentes, nem terem chegado primeiro a algum nicho de mercado, aumentaram o pequeno pedaço do bolo de riqueza produzido por eles que fica com eles. Quem fica com o resto? A sociedade como um todo. Isso, se for uma sociedade que recompensa a inovação e o risco de inovar, em vez de uma sociedade que incentiva a inveja de rico.

Parte dessa inveja vem da teoria marxista, que erroneamente trata a relação entre patrões e empregados não como ganho mútuo, mas como na maior parte um “toma lá, dá cá”, o que é uma mentira na maioria dos casos.

Deixar o imposto de renda mais progressivo atrapalha o crescimento

Lula e seu governo têm insistido que taxar ainda mais os “super-ricos” é a solução para o país. Isso é chamado de “progressividade”: quanto mais rico, mais imposto paga. Mas estudos apontam que o preço disso é menos empregos.

Em um artigo para uma revista do grupo Nature em 2015, o economista Cruz Echevarría concluiu que sim, a desigualdade de renda é reduzida com a taxação progressiva, mas isso vem com menor crescimento do PIB e menor crescimento do consumo futuro — além de menos postos de trabalho disponíveis.

“Uma valoração maior do bem-estar das gerações futuras exige um nível menor de progressividade”, concluiu Echevarría. Portanto, essa política fiscal não é destituída de consequências negativas.

A forma como a progressividade é vendida por seus defensores — aumentar os impostos dos ricos em vez de diminuir o fardo fiscal dos mais pobres — já é informativa em si mesma. Informa-nos que a obsessão é buscar a saída estatal para a prosperidade, quando a saída mais óbvia é a liberdade econômica.

Perguntem ao presidente Javier Milei, cujas políticas liberais, que incluem o corte de gastos que Lula faz de tudo para resistir por aqui, já reduziram a pobreza na Argentina para o menor nível desde 2022 em apenas um ano e meio de governo.

Outros trabalhos, como um modelo econômico de 2003 citado por Echevarría, simulam que eliminar a progressividade do imposto de renda elevaria o PIB per capita em meio ponto percentual por ano. O que é mais urgente, para o Brasil: enriquecer ou punir ainda mais os ricos?

A carga tributária hoje está próxima de um terço do que produzimos. É o terço dos infernos, não só no sentido de ser uma em três partes, mas também no sentido de que faz parte do Rosário do Diabo. Esta é uma das principais razões pelas quais somos um país pobre. E continuaremos assim enquanto inveja de rico for uma postura mais popular que a mentalidade empreendedora e inovadora.

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