Ministro afirma que impacto fiscal imediato será pequeno, mas prevê contingenciamento no orçamento
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou agora há pouco (09) que o governo pode cortar emendas parlamentares após a derrubada da Medida Provisória (MP) que criava alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A proposta perdeu validade na quarta-feira (8), após manobra do Congresso.
O governo previa arrecadar R$ 10,5 bilhões neste ano e R$ 21,8 bilhões em 2026 com a MP. Segundo Haddad, o impacto imediato nas contas de 2025 será “pequeno”, mas o corte de emendas está em avaliação.
“Pode ser que tenha corte de emendas, mas isso dentro da regra estabelecida pela lei complementar que o Congresso aprovou”, disse o ministro.
Haddad voltou a atribuir ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos manifestantes de 8 de janeiro a responsabilidade pelo rombo nas contas públicas do governo Lula. Segundo o ministro da Fazenda, o ex-presidente teria “aberto os cofres em 2022” para tentar se reeleger. Na mesma linha, disse que as “mesmas forças” estariam agora “desorganizando o orçamento de 2026 para tentar interferir no resultado eleitoral”.
O ministro se irritou ao ouvir a expressão “aumento de impostos” durante uma entrevista. Um jornalista mencionou a derrota da MP da Taxação e a derrubada do aumento do IOF, apontando resistência do Congresso a novas elevações de tributos. Haddad evitou comentar o mérito e reagiu à pergunta: “essa tua narrativa é uma narrativa que assimila um discurso que não é condizente com o que está sendo feito”.
Diante da resposta, o repórter rebateu dizendo que apenas descrevia fatos. Haddad interrompeu com tom incisivo: “você perguntou, posso responder?”. Quando o jornalista afirmou não estar errado, o ministro concluiu de forma irônica: “depois que eu responder, você coloca na matéria o que você preferir”.
Após o embate, Haddad explicou seu ponto de vista. Disse que só se pode falar em aumento de imposto quando há elevação de alíquotas que atingem toda a sociedade. Segundo ele, no caso das medidas discutidas, tratava-se de um “corte de gasto tributário”, e não de aumento de carga.
A ameaça sob as emendas
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já havia antecipado a possibilidade de bloqueio de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões em emendas caso a MP não fosse aprovada.
A equipe econômica deve congelar apenas as emendas não impositivas, que não têm execução obrigatória — como as de comissão. As impositivas, de bancada e individuais, seguem com pagamento garantido.
A decisão da Câmara de retirar a MP de pauta inviabilizou a votação do texto, considerado essencial para o ajuste fiscal. Sem a arrecadação prevista, o governo avalia novas medidas para recompor o orçamento.
