Haddad ameaça corte de emendas após derrota da MP do IOF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Haddad ameaça corte de emendas após derrota da ‘MP Taxa Tudo’

Haddad diz que PL Antifacção aprovado na Câmara enfraquece PF e Receita e pede revisão completa no Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro afirma que impacto fiscal imediato será pequeno, mas prevê contingenciamento no orçamento

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou agora há pouco (09) que o governo pode cortar emendas parlamentares após a derrubada da Medida Provisória (MP) que criava alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A proposta perdeu validade na quarta-feira (8), após manobra do Congresso.

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O governo previa arrecadar R$ 10,5 bilhões neste ano e R$ 21,8 bilhões em 2026 com a MP. Segundo Haddad, o impacto imediato nas contas de 2025 será “pequeno”, mas o corte de emendas está em avaliação.

“Pode ser que tenha corte de emendas, mas isso dentro da regra estabelecida pela lei complementar que o Congresso aprovou”, disse o ministro.

Haddad voltou a atribuir ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos manifestantes de 8 de janeiro a responsabilidade pelo rombo nas contas públicas do governo Lula. Segundo o ministro da Fazenda, o ex-presidente teria “aberto os cofres em 2022” para tentar se reeleger. Na mesma linha, disse que as “mesmas forças” estariam agora “desorganizando o orçamento de 2026 para tentar interferir no resultado eleitoral”.

O ministro se irritou ao ouvir a expressão “aumento de impostos” durante uma entrevista. Um jornalista mencionou a derrota da MP da Taxação e a derrubada do aumento do IOF, apontando resistência do Congresso a novas elevações de tributos. Haddad evitou comentar o mérito e reagiu à pergunta: “essa tua narrativa é uma narrativa que assimila um discurso que não é condizente com o que está sendo feito”.

Diante da resposta, o repórter rebateu dizendo que apenas descrevia fatos. Haddad interrompeu com tom incisivo: “você perguntou, posso responder?”. Quando o jornalista afirmou não estar errado, o ministro concluiu de forma irônica: “depois que eu responder, você coloca na matéria o que você preferir”.

Após o embate, Haddad explicou seu ponto de vista. Disse que só se pode falar em aumento de imposto quando há elevação de alíquotas que atingem toda a sociedade. Segundo ele, no caso das medidas discutidas, tratava-se de um “corte de gasto tributário”, e não de aumento de carga.

A ameaça sob as emendas

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já havia antecipado a possibilidade de bloqueio de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões em emendas caso a MP não fosse aprovada.

A equipe econômica deve congelar apenas as emendas não impositivas, que não têm execução obrigatória — como as de comissão. As impositivas, de bancada e individuais, seguem com pagamento garantido.

A decisão da Câmara de retirar a MP de pauta inviabilizou a votação do texto, considerado essencial para o ajuste fiscal. Sem a arrecadação prevista, o governo avalia novas medidas para recompor o orçamento.

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