'Governo vai pagar para ver', diz Sóstenes sobre retirada da MP do IOF da pauta
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

‘Governo vai pagar para ver’, diz Sóstenes sobre retirada da MP do IOF da pauta

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), defendeu nesta quinta-feira (13) um endurecimento da legislação penal e o reforço do financiamento das forças de segurança como resposta ao avanço do crime organizado no país.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Líder do PL diz que Executivo precisa cortar gastos e alerta para resistência a novos impostos

Com a retirada de pauta da Medida Provisória (MP) 1.303/2025 — que previa mudanças na tributação de investimentos e novas fontes de receita para compensar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — o líder do Partido Liberal na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o governo ainda não entendeu que “tudo que for para baixar de impostos aos brasileiros” a direita “vai apoiar”.

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A declaração foi dada em entrevista coletiva nesta terça-feira (8), após a Câmara decidir, por 251 votos a 193, retirar de pauta a MP relatada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP). A proposta previa uma reformulação na tributação de aplicações financeiras, com potencial de arrecadação estimado em R$ 17 bilhões.

Na avaliação de Sóstenes, o governo insiste em aumentar tributos em vez de cortar despesas, e por isso sofre resistência crescente no Congresso. Para ele, a resposta dada pelos deputados foi clara.

“O governo tem que entender que o papel dele agora é reduzir gastos, diminuir número de ministérios, diminuir número de viagens, parar de gastar em hotéis luxuosos mundo afora e começar a cuidar do Brasil, que até agora não fez.”

O líder do PL classificou a votação como uma “vitória esmagadora” da oposição e ironizou as tentativas da base aliada de minimizar o revés.

“Se perder é vitória, parabéns pro governo. Eu estou muito feliz como líder do maior partido da oposição. O governo não conseguiu nem de perto o que pretendia colocar no painel. Nós colocamos o que a gente queria.”

Para Sóstenes, a medida era um “pacote disfarçado de aumento de impostos”, que penalizaria diretamente investidores e setores produtivos. Ele também mandou um recado ao Planalto, reforçando que o Executivo precisará negociar caso queira aprovar matérias no Congresso.

“Se o governo quiser continuar governando, vai precisar dialogar com o Congresso e tentar reorganizar a base, que não existe. Senão, vai pagar para ver. Nós não vamos pagar essa conta sozinhos”, afirmou.

“Estamos dispostos até a abrir mão de emendas, se necessário. Mas se o governo tocar nas emendas do Parlamento, vai receber resposta em outras votações”, concluiu.

Veja como votaram os partidos sobre o requerimento de retirada de pauta

Avante: 2 favoráveis / 5 contrários
Cidadania: 2 favoráveis / 1 contrário
MDB: 14 favoráveis / 16 contrários
Novo: 5 favoráveis / 0 contrários
PCdoB: 0 favoráveis / 9 contrários
PDT: 0 favoráveis / 14 contrários
PL: 73 favoráveis / 2 contrários
PP: 40 favoráveis / 1 contrário
PRD: 3 favoráveis / 1 contrário
PSB: 1 favorável / 13 contrários
PSD: 18 favoráveis / 20 contrários
PSDB: 11 favoráveis / 2 contrários
PSOL: 0 favoráveis / 13 contrários
PT: 0 favoráveis / 64 contrários
PV: 0 favoráveis / 4 contrários
Podemos: 3 favoráveis / 12 contrários
Republicanos: 29 favoráveis / 10 contrários
Solidariedade: 4 favoráveis / 1 contrário
União Brasil: 46 favoráveis / 5 contrários

O que previa a MP 1.303/2025

Entre os principais pontos:

  • Unificação da alíquota do IR em 18% sobre aplicações financeiras (ações, fundos, etc.)
  • Fim da isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil em criptomoedas
  • Criação de programa de regularização tributária para criptoativos e apostas esportivas
  • Aumento da CSLL das fintechs de 9% para 15%
  • Elevação do IR sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 20%
  • Manutenção da isenção para LCI, LCA e debêntures incentivadas
  • Criação de ETF isento com ativos incentivados
  • Equiparação das regras do mercado de balcão às da B3

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