Líder do PL diz que Executivo precisa cortar gastos e alerta para resistência a novos impostos
Com a retirada de pauta da Medida Provisória (MP) 1.303/2025 — que previa mudanças na tributação de investimentos e novas fontes de receita para compensar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — o líder do Partido Liberal na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o governo ainda não entendeu que “tudo que for para baixar de impostos aos brasileiros” a direita “vai apoiar”.
A declaração foi dada em entrevista coletiva nesta terça-feira (8), após a Câmara decidir, por 251 votos a 193, retirar de pauta a MP relatada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP). A proposta previa uma reformulação na tributação de aplicações financeiras, com potencial de arrecadação estimado em R$ 17 bilhões.
Na avaliação de Sóstenes, o governo insiste em aumentar tributos em vez de cortar despesas, e por isso sofre resistência crescente no Congresso. Para ele, a resposta dada pelos deputados foi clara.
“O governo tem que entender que o papel dele agora é reduzir gastos, diminuir número de ministérios, diminuir número de viagens, parar de gastar em hotéis luxuosos mundo afora e começar a cuidar do Brasil, que até agora não fez.”
O líder do PL classificou a votação como uma “vitória esmagadora” da oposição e ironizou as tentativas da base aliada de minimizar o revés.
“Se perder é vitória, parabéns pro governo. Eu estou muito feliz como líder do maior partido da oposição. O governo não conseguiu nem de perto o que pretendia colocar no painel. Nós colocamos o que a gente queria.”
Para Sóstenes, a medida era um “pacote disfarçado de aumento de impostos”, que penalizaria diretamente investidores e setores produtivos. Ele também mandou um recado ao Planalto, reforçando que o Executivo precisará negociar caso queira aprovar matérias no Congresso.
“Se o governo quiser continuar governando, vai precisar dialogar com o Congresso e tentar reorganizar a base, que não existe. Senão, vai pagar para ver. Nós não vamos pagar essa conta sozinhos”, afirmou.
“Estamos dispostos até a abrir mão de emendas, se necessário. Mas se o governo tocar nas emendas do Parlamento, vai receber resposta em outras votações”, concluiu.
Veja como votaram os partidos sobre o requerimento de retirada de pauta
Avante: 2 favoráveis / 5 contrários
Cidadania: 2 favoráveis / 1 contrário
MDB: 14 favoráveis / 16 contrários
Novo: 5 favoráveis / 0 contrários
PCdoB: 0 favoráveis / 9 contrários
PDT: 0 favoráveis / 14 contrários
PL: 73 favoráveis / 2 contrários
PP: 40 favoráveis / 1 contrário
PRD: 3 favoráveis / 1 contrário
PSB: 1 favorável / 13 contrários
PSD: 18 favoráveis / 20 contrários
PSDB: 11 favoráveis / 2 contrários
PSOL: 0 favoráveis / 13 contrários
PT: 0 favoráveis / 64 contrários
PV: 0 favoráveis / 4 contrários
Podemos: 3 favoráveis / 12 contrários
Republicanos: 29 favoráveis / 10 contrários
Solidariedade: 4 favoráveis / 1 contrário
União Brasil: 46 favoráveis / 5 contrários
O que previa a MP 1.303/2025
- Unificação da alíquota do IR em 18% sobre aplicações financeiras (ações, fundos, etc.)
- Fim da isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil em criptomoedas
- Criação de programa de regularização tributária para criptoativos e apostas esportivas
- Aumento da CSLL das fintechs de 9% para 15%
- Elevação do IR sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 20%
- Manutenção da isenção para LCI, LCA e debêntures incentivadas
- Criação de ETF isento com ativos incentivados
- Equiparação das regras do mercado de balcão às da B3
