Segundo Gleisi, equiparação pode abrir espaço para intervenção estrangeira no Brasil
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse há pouco que o governo Lula (PT) é “terminantemente” contra o projeto de lei (PL) que equipara a atuação de facções criminosas à prática do terrorismo. Para ela, a equiparação poderia abrir espaço para intervenção estrangeira no Brasil.
“O governo é terminantemente contra, nós somos contra esse projeto que equipara as facções criminosas ao terrorismo, terrorismo tem objetivo político e ideológico, e o terrorismo, pela legislação internacional, dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país”, disse a petista durante evento da pasta.
Na última segunda (03), o presidente da CCJ da Câmara, Paulo Azi (União-BA), incluiu o texto na pauta do colegiado desta semana. O projeto passou pela Comissão de Segurança Pública e aguarda votação na CCJ. A proposta não precisaria ser votada na comissão, já que teve um requerimento de urgência aprovado, dispensando a análise pelas comissões temáticas.
Azi, no entanto, decidiu pautar o texto mesmo assim, porque o projeto vem sofrendo questionamentos sobre sua constitucionalidade, tema que será analisado pela comissão.
Entretanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelou todas as reuniões de comissões previstas para esta quarta (05), impedindo a análise do PL Antiterrorismo, que equipara facções a grupos terroristas. A decisão do paraibano ocorre após pressão do governo Lula, que tenta avançar com seu próprio texto, o PL “antifacção”, apresentado na semana passada.
GUERRA DE TRUMP CONTRA CARTÉIS
A fala sobre “intervenção” de Gleisi surge em meio à guerra do governo Trump contra cartéis de drogas na América Latina. Nos últimos meses, um grande poderio militar foi deslocado para a região e o Exército americano tem realizado ataques contra embarcações com drogas. Até o momento, 66 narcoterroristas já foram mortos pelos ataques americanos.
Na última sexta (31), a ONU pediu que Trump suspenda os ataques contra as embarcações. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou as ações como “execuções extrajudiciais”.
Essa foi a 1ª vez que a organização se manifestou oficialmente sobre as operações americanas próximas às costas da Venezuela e da Colômbia.
A ditadura socialista venezuelana acusa os EUA de tentar derrubar Maduro, enquanto a Colômbia, do ex-guerrilheiro Gustavo Petro, também critica publicamente os ataques.
“Consórcio da paz”: Gleisi e Boulos acusam governadores de buscar intervenção de Trump no Brasil
