Senado cobra explicações de Vieira por alerta sobre EUA
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Política

Senado cobra explicações de Mauro Vieira por alerta sobre ação militar dos EUA no Brasil

Requerimento de Hamilton Mourão foi aprovado após o chanceler afirmar que classificação de facções como terroristas pode justificar uso da força contra o país

ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Mauro Vieira
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) aprovou nesta terça-feira (7) um convite para que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, preste esclarecimentos sobre a declaração em que mencionou o risco de uso de força militar dos Estados Unidos contra o Brasil após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo norte-americano.

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A audiência ainda não tem data marcada. Como se trata de um convite, e não de uma convocação, o chanceler não é obrigado a comparecer ao colegiado.

O requerimento foi apresentado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O ex-vice-presidente afirmou que pretende entender quais fundamentos levaram o Itamaraty a fazer uma avaliação considerada por ele de alta gravidade.

“Eu gostaria de ouvir de onde ele tirou dados para uma afirmação dessa gravidade”, declarou Mourão durante a reunião da comissão.

No pedido, o senador afirmou que é necessário esclarecer os fundamentos geopolíticos e de inteligência que embasaram a manifestação do governo brasileiro, além das medidas diplomáticas adotadas diante da decisão dos Estados Unidos.

A declaração de Mauro Vieira consta em uma resposta oficial enviada pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados em 1º de julho, após questionamento do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).

No documento, o ministro afirmou que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas poderia ser utilizada como justificativa para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras e mencionou a possibilidade de emprego de força militar norte-americana em território nacional.

“Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”, escreveu Vieira.

O chanceler também afirmou que a medida adotada pelos Estados Unidos poderia gerar consequências para cidadãos brasileiros em áreas como finanças, imigração e direito penal. Segundo ele, a classificação não traria benefícios concretos para a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

“O governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida”, afirmou Vieira no documento, acrescentando que a designação das organizações como terroristas representaria “riscos concretos à soberania nacional”.

Classificação pelo governo dos EUA

A decisão de incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos entrou em vigor em 5 de junho, após o anúncio inicial feito pelo Departamento de Estado norte-americano em 28 de maio.

A medida foi assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que as duas facções brasileiras possuem atuação internacional e representam uma ameaça além das fronteiras do Brasil.

Segundo o Itamaraty, a classificação unilateral poderia ampliar a margem de atuação das autoridades norte-americanas sobre indivíduos e instituições brasileiras. O governo brasileiro defende que o enquadramento como organizações criminosas transnacionais já permitiria mecanismos de cooperação e troca de informações no combate ao crime organizado.

O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que eventuais ações envolvendo atuação militar em território brasileiro devem respeitar a legislação e os mecanismos de cooperação entre os países.

“O combate ao crime organizado exige firmeza, mas também coordenação entre Estados soberanos”, disse.

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