Para os ministros, governadores querem usar “consórcio da paz” como pretexto para intervenção americana
Os ministros Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, e Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, afirmaram nesta sexta-feira (31) que o “consórcio da paz”, anunciado por governadores de direita, tem o objetivo de fazer os EUA intervirem no Brasil.
Recentemente, Donald Trump declarou “guerra” contra cartéis de drogas na América Latina e começou a bombardear navegações dos criminosos. Até agora, de acordo com o último balanço do governo americano, mais de 60 narcotraficantes já morreram com as ofensivas.
O presidente também autorizou operações secretas da CIA na Venezuela. A autorização dá à CIA a possibilidade de ataques letais contra envolvidos em tráfico de drogas ou de operações mais amplas que podem levar à queda da ditadura socialista de Nicolás Maduro.
Nas redes sociais, Gleisi disse que o “consórcio da paz”, anunciado ontem (30) após a megaoperação no RJ que deixou mais de 100 narcotraficantes mortos, coloca o país “no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”.
“Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”, escreveu a ministra nas redes sociais nesta sexta (31).
Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente @LulaOficial ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) October 31, 2025
Já Boulos, em entrevista ao g1, seguiu a mesma linha de Gleisi, negando o intuito pacifico dos governadores: “O consórcio que os governadores anunciaram não é um consórcio da paz. É o consórcio do Trump. Querem atiçar intervenção estrangeira”.
O psolista ainda afirmou que, se os governadores realmente quisessem enfrentar o crime organizado, apoiariam a PEC da Segurança Pública, e não o que chamou de “demagogia sobre o terrorismo”.
AS PROPOSTAS DO CONSÓRCIO DA PAZ
Os governadores propuseram as seguintes medidas contra o crime organizado:
- Tipificação de condutas terroristas;
- Punição mais rigorosa para homicídios contra agentes públicos;
- Ampliação de penas para criminosos reincidentes;
- Facilitação da perda de patrimônio de organizações criminosas, incluindo sequestro de bens desde o indiciamento e vedação de pagamento de advogados com recursos ilícitos;
- Permissão de prisão de integrantes de organizações criminosas após condenação em segunda instância;
- Punição de empresas envolvidas em falsificação e sonegação.
