Gleisi e Boulos: governadores buscam intervenção no Brasil
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“Consórcio da paz”: Gleisi e Boulos acusam governadores de buscar intervenção de Trump no Brasil

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Foto: Reprodução

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Para os ministros, governadores querem usar “consórcio da paz” como pretexto para intervenção americana

Os ministros Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, e Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, afirmaram nesta sexta-feira (31) que o “consórcio da paz”, anunciado por governadores de direita, tem o objetivo de fazer os EUA intervirem no Brasil.

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Recentemente, Donald Trump declarou “guerra” contra cartéis de drogas na América Latina e começou a bombardear navegações dos criminosos. Até agora, de acordo com o último balanço do governo americano, mais de 60 narcotraficantes já morreram com as ofensivas.

O presidente também autorizou operações secretas da CIA na Venezuela. A autorização dá à CIA a possibilidade de ataques letais contra envolvidos em tráfico de drogas ou de operações mais amplas que podem levar à queda da ditadura socialista de Nicolás Maduro.

Nas redes sociais, Gleisi disse que o “consórcio da paz”, anunciado ontem (30) após a megaoperação no RJ que deixou mais de 100 narcotraficantes mortos, coloca o país “no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”.

“Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”, escreveu a ministra nas redes sociais nesta sexta (31).

Boulos, em entrevista ao g1, seguiu a mesma linha de Gleisi, negando o intuito pacifico dos governadores: “O consórcio que os governadores anunciaram não é um consórcio da paz. É o consórcio do Trump. Querem atiçar intervenção estrangeira”.

O psolista ainda afirmou que, se os governadores realmente quisessem enfrentar o crime organizado, apoiariam a PEC da Segurança Pública, e não o que chamou de “demagogia sobre o terrorismo”.

AS PROPOSTAS DO CONSÓRCIO DA PAZ

Os governadores propuseram as seguintes medidas contra o crime organizado:

  • Tipificação de condutas terroristas;
  • Punição mais rigorosa para homicídios contra agentes públicos;
  • Ampliação de penas para criminosos reincidentes;
  • Facilitação da perda de patrimônio de organizações criminosas, incluindo sequestro de bens desde o indiciamento e vedação de pagamento de advogados com recursos ilícitos;
  • Permissão de prisão de integrantes de organizações criminosas após condenação em segunda instância;
  • Punição de empresas envolvidas em falsificação e sonegação.

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