Secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas deixará cargo para retomar mandato de deputado federal
Num acordo de bastidor, Nikolas Ferreira decidiu transferir para Guilherme Derrite a relatoria do PL que reclassifica o PCC e outras organizações criminosas como organizações terroristas. Com isso, o secretário de Segurança de São Paulo deve deixar o cargo nos próximos dias para retomar o mandato de deputado federal.
“O capitão Derrite me pediu o projeto e eu cedi essa relatoria para ele. É uma pessoa que já trabalha contra o crime organizado há anos, e eu não tenho dúvidas de que está em boas mãos.”
Conforme apurou este site, o objetivo é aprovar um relatório robusto que dê ao Estado condições legais para combater o crime organizado, que hoje se transformou na principal ameaça à soberania, com domínio territorial, infiltração estatal e tomada de setores econômicos, como combustíveis e telefonia.
Para Derrite, o crime organizado já não é uma questão apenas de segurança pública. Nos últimos dias, o ainda secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas concentrou todos os esforços na busca dos responsáveis pelo assassinato do delegado Ruy Ferraz Pontes, executado em via pública em Praia Grande (SP).
Ele também anunciou o uso de recursos apreendidos do crime organizado — inclusive valores e um imóvel ligados à esposa de Marcola, líder do PCC — para financiar tecnologia e infraestrutura para as polícias no Estado. Derrite quer transformar esse tipo de medida em política pública, por meio do projeto de lei.
Em sua gestão, ele lançou o programa Recupera SP, que reverte bens e valores em investimentos para a segurança. De acordo com o secretário, o mecanismo já adicionou R$ 62 milhões ao caixa da pasta, com a meta de alcançar até R$ 1 bilhão ao ano. Derrite também vem denunciando o nível de sofisticação do PCC, que montou até um grupo de elite dedicado a planejar atentados contra autoridades.
“De uns anos para cá, eles montaram um grupo da organização criminosa chamado ‘restrita tática’. Os indivíduos dessa restrita tática são treinados para realizarem atentados contra autoridades. Eles passam por treinamentos com diversos armamentos”, disse à imprensa, após sua participação no Simpósio Nacional de Segurança Pública.
Há poucos meses, o Departamento de Estado americano pediu ao governo brasileiro para denominar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, mas Lula rejeitou. Em discurso na ONU nesta semana, o petista criticou frontalmente a proposta. Apesar da pressão para se votar o PL na próxima semana, Hugo Motta tem sido pressionado pelo Supremo para não fazê-lo.
