Fux é voto isolado e contesta julgamento do núcleo 2 fora do Plenário do STF - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Fux é voto isolado e contesta julgamento do núcleo 2 fora do Plenário do STF

Luiz Fux pediu para mudar de Turma no STF, mas quer seguir nos julgamentos da trama golpista. Ministro votou pela absolvição de réus ligados
Luiz Fux pediu para mudar de Turma no STF, mas quer seguir nos julgamentos da trama golpista. Ministro votou pela absolvição de réus ligados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro Luiz Fux foi novamente voto vencido na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o julgamento dos integrantes do “núcleo 2” da denúncia da PGR sobre o suposto plano de golpe de 2022, Fux voltou a criticar o encaminhamento do caso fora do Plenário.

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“Eles estão sendo julgados como se ainda exercessem a função pública. Então, se eles estão sendo julgados como se ainda exercessem a função pública, daí a minha indicação de que a competência deveria ser do Plenário”, afirmou. É a mesma posição que ele sustentou em março, no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A divergência, mais uma vez isolada, aponta para uma questão central ignorada pelos demais ministros: o uso político do Judiciário em julgamentos sensíveis que envolvem ex-integrantes do governo anterior. O governo Lula segue se beneficiando da ofensiva jurídica que corre sob condução do ministro Alexandre de Moraes, aliado declarado do Planalto.

Para a ministra Carmén Lúcia, não houve quebra de princípio da igualdade processual, e ela constou a psoição do ministro Fux.

“O princípio da isonomia impõe que todos sejam julgados, na vigência de uma norma, sob as mesmas condições por ela estabelecidas. Se esse caso, que é posterior às modificações regimentais, sob a égide das quais vários processos foram julgados, e não dizendo respeito apenas a essa denúncia, mas outros casos que nós relatamos nos nossos respectivos gabinetes, ai, sim, teria sido criada uma exceção, uma circustância excepcional”, disse Cármen.

As defesas dos acusados tentaram declarar a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob o argumento de que ele cometeu “flagrante quebra de imparcialidade”, manipulando fatos e omitindo provas que inocentariam os denunciados. O pedido foi negado. Para os ministros, não seria o momento processual adequado para discutir a conduta de Gonet.

Também foi rejeitada a preliminar que pedia a suspeição dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — todos ligados ao governo Lula. A justificativa das defesas é que os três não teriam condições de julgar o caso com imparcialidade. Os próprios ministros votaram pela manutenção de suas participações, alegando que a Corte já decidiu anteriormente sobre o tema.

A sessão que julga a admissibilidade da denúncia levantou, nos bastidores, a possibilidade de que integrantes do “núcleo 2” sigam o caminho do tenente-coronel Mauro Cid e fechem acordos de colaboração premiada.

A expectativa é que parte das acusações avance, mas ainda há dúvidas sobre a aceitação da denúncia contra todos os citados. O cenário reforça o uso seletivo de delações e o cerco jurídico a antigos aliados do governo Bolsonaro.

 

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