Convocação mira explicações sobre conflitos com EUA, Israel e parceiros do Mercosul
O deputado Filipe Barros (PL-PR) solicitou a convocação do Chefe da Assessoria Especial da Presidência, Embaixador Celso Amorim, para prestar esclarecimentos à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional sobre seu papel na formulação e execução da Política Externa brasileira.
Barros afirmou que espera que Amorim cumpra o compromisso, já que, segundo ele, há “muito a ser explicado por parte do diplomata que vive ao pé do ouvido de Lula”. A convocação ocorre após uma série de ações do diplomata que, na visão do parlamentar, comprometeram a diplomacia brasileira.
O requerimento cita, entre outros episódios, a recepção do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em Brasília em maio de 2023, e a missão de Amorim à Venezuela em julho de 2024, quando foram realizadas eleições marcadas por alegações de fraude.
O parlamentar aponta ainda o papel de Amorim nos conflitos envolvendo Rússia e Ucrânia. De acordo com Barros, o diplomata teria direcionado o Brasil a apoiar a Rússia, ignorando a invasão à Ucrânia, e aconselhado o governo a não condenar ataques a civis, contrariando o posicionamento esperado de neutralidade da diplomacia brasileira.
O deputado também criticou a condução das relações com vizinhos e parceiros do Mercosul. Ele destaca divergências com o presidente argentino Javier Milei e a ausência de respostas convincentes sobre operação de espionagem da ABIN no Paraguai, que levou à suspensão do embaixador paraguaio em Brasília desde abril.
Barros também critica a priorização do BRICS e das relações com Rússia, China e Irã, orientada por Amorim, incluindo a ausência de condenação pelo patrocínio do terrorismo pelo Irã. O deputado argumenta que essas ações têm colocado em xeque a imagem do Brasil como um país neutro e equilibrado na diplomacia internacional.
“Por isso, faz-se necessário que o Embaixador compareça a esta Comissão para explicar as razões pelas quais capturou ideologicamente a nossa diplomacia e as consequências disso para os interesses superiores do País”, afirmou o parlamentar.
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional deve ouvir o diplomata no dia 20 de agosto. O objetivo é esclarecer o alinhamento político e ideológico de Amorim nas decisões que moldam a política internacional do governo Lula.
Confira aqui o documento na íntegra.
