Câmara aprova projeto que regulamenta filtro de relevância de recurso especial no STJ
Brasília, Sábado, 18 de julho de 2026
Política

Câmara aprova projeto que regulamenta filtro de relevância de recurso especial no STJ

Nova regra estabelece critérios para admissão de recursos especiais e permite ao STJ concentrar julgamentos em temas de maior impacto

Plenário Câmara dos Deputados
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) o projeto que regulamenta o chamado filtro de relevância para recursos especiais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A proposta, já aprovada pelo Senado, segue agora para sanção presidencial e define os critérios que permitirão ao tribunal decidir quais recursos deverão ser analisados.

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A regulamentação estabelece que o recorrente deverá demonstrar que a controvérsia possui relevância econômica, política, social ou jurídica que ultrapasse os interesses das partes envolvidas.

STJ poderá rejeitar recursos sem relevância

Pelas novas regras, o STJ poderá deixar de analisar recursos quando dois terços dos ministros do órgão responsável pelo julgamento concluírem que o caso não apresenta relevância suficiente.

O filtro será aplicado aos recursos especiais que tratam de questões de direito federal infraconstitucional, ou seja, normas e leis federais que não envolvem diretamente a Constituição Federal.

O texto regulamenta a Emenda Constitucional 125, promulgada em 2022, que passou a exigir a demonstração da relevância da matéria para a admissão desse tipo de recurso.

A proposta também autoriza o ministro relator a suspender, por até seis meses, processos individuais e coletivos que discutam a mesma matéria. O prazo poderá ser prorrogado uma única vez por igual período, totalizando até um ano.

A medida busca permitir que o STJ fixe entendimento sobre a questão antes da continuidade dos demais processos, aproximando o procedimento do modelo de repercussão geral utilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, uma vez reconhecida ou rejeitada a relevância da matéria, a decisão produzirá efeitos sobre processos em tramitação tanto no STJ quanto nas instâncias inferiores.

Projeto altera o Código de Processo Civil

O texto modifica dispositivos do Código de Processo Civil para incorporar o novo mecanismo ao sistema recursal.

Entre as mudanças, determina que juízes e tribunais observem as decisões do STJ proferidas em recursos com relevância reconhecida. Também estabelece novas regras para reclamações, recursos e para o tratamento de processos repetitivos.

A exigência de demonstrar a relevância passará a valer apenas para recursos interpostos contra decisões publicadas após 30 dias da entrada em vigor da futura lei.

Câmara rejeita ampliação das hipóteses de relevância

Durante a votação, deputados da oposição de esquerda criticaram a proposta sob o argumento de que ela pode restringir o acesso às instâncias superiores do Judiciário.

Uma emenda apresentada pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC), que ampliava os casos de relevância presumida para incluir ações envolvendo direitos fundamentais, execução penal e direitos coletivos, foi rejeitada pelo plenário.

O relator da proposta, deputado Raniery Paulino (Republicanos-PB), defendeu a aprovação sem alterações e afirmou que a regulamentação permitirá ao STJ concentrar sua atuação em processos de maior repercussão jurídica, social, econômica e política, reduzindo o volume de recursos e conferindo maior previsibilidade ao sistema.

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