O impacto do contingenciamento e bloqueio de R$ 2,6 bilhões nas verbas do Ministério da Defesa, determinado pela área econômica do governo Lula, pode levar a Força Aérea Brasileira (FAB) a um cenário crítico. Uma planilha exibida em uma apresentação no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) detalha os possíveis impactos a partir de 14 de julho, incluindo a paralisação de 40 aeronaves e o afastamento de 137 pilotos até dezembro deste ano.
Caso os cortes se concretizem, a FAB prevê a adoção de meio expediente em organizações militares, trabalho em home office e reuniões por videoconferência para cortar custos. Voos de autoridades de Brasília para os Estados serão cortados, e até mesmo os recursos para a aquisição de combustível para as aeronaves serão afetados. Missões do Plano de Missões Técnico-Administrativas no Exterior (Plamtax) e do Plano de Assistência Médica Suplementar também serão suspensas, e a FAB deverá negar solicitações de aeronaves para eventos, participando por video.

A comunicação do Comando da Aeronáutica (COMAER) confirmou que o Decreto nº 12.447, de 30 de maio de 2025, que impôs uma contenção de aproximadamente R$ 2,6 bilhões ao orçamento da Defesa. Desse total, R$ 812,2 milhões foram designados para a FAB, sendo R$ 483,4 milhões em despesas discricionárias e R$ 328,8 milhões em projetos estratégicos.
A Força Aérea explicou que priorizou despesas que dão suporte orçamentário para a execução de determinadas atividades e compromissos já assumidos, em detrimento de outras áreas. No entanto, o alto valor dos bloqueios e o fato de terem sido estabelecidos apenas sete meses restantes do exercício atual resultaram em impactos severos em praticamente todas as atividades, desde as operacionais, até as logísticas e administrativas.
Em relação aos projetos estratégicos, a redução de 17% do valor da Lei Orçamentária Anual (LOA) demandará ajustes contratuais para mitigar impactos nos cronogramas de entregas de aeronaves, como os aviões KC-390 e caças Gripen. Segundo brigadeiros, apenas as operações de busca e salvamento, transporte de órgãos e defesa do País foram mantidas.
O Ministério do Planejamento, por sua vez, informou que os contingenciamentos e bloqueios são realizados para cumprir as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal e do Regime Fiscal Sustentável, como a meta de resultado primário e o limite de despesas.
A pasta reforçou que tais medidas precisam ser avaliadas sob o “cenário fiscal vigente que, atualmente, impõe restrições orçamentárias para todos os órgãos da União”.
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