Barroso usou jatinhos da FAB 54 vezes em viagens sem agenda oficial - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Barroso usou jatinhos da FAB 54 vezes em viagens sem agenda oficial

Reprodução/Metrópoles

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Por Redação

Os voos chegaram a custar R$ 940 mil aos cofres públicos

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, realizou 54 viagens em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) até 20 de junho de 2025. A maioria dos voos, entre Brasília e São Paulo, custou pelo menos R$ 940 mil aos cofres públicos, segundo levantamento da Gazeta do Povo. Boa parte dessas viagens ocorreu sem compromissos oficiais registrados e, em ao menos dez delas, Barroso viajou sozinho.

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A prática, comparada por críticos a um “Uber aéreo” estatal, aumenta com o uso de classificações genéricas como “à disposição do Ministério da Defesa” para 23 voos com um custo extra de R$ 420 mil. O STF, porém, se nega a informar detalhes desses deslocamentos, mesmo com dinheiro público envolvido.

Durante o recesso do Judiciário, entre 15 e 18 de janeiro, Barroso gastou R$ 212 mil em voos sem compromissos na agenda. Em fevereiro, foi a Campinas para receber uma comenda em evento no qual ele próprio era o homenageado. Já em março, utilizou aeronaves da FAB para ir a solenidades e eventos acadêmicos em diferentes estados, inclusive no lançamento de um livro de sua autoria no próprio STF.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também recorreu frequentemente aos jatinhos oficiais: foram 35 viagens, ao custo de R$ 678 mil. Quase todas as decolagens foram às segundas, sextas ou terças-feiras, geralmente entre Brasília e São Paulo, muitas com apenas dois ou três passageiros.

Apesar de um decreto de 2020 permitir o uso de aeronaves da FAB por ministros do STF e outras autoridades alegando questões de segurança, não há exigência de divulgação pública dos critérios para os voos. O Ministério da Defesa aproveitou brechas na norma para autorizar voos sigilosos a partir de 2023. Alexandre de Moraes foi um dos principais usuários desse recurso.

Até o Tribunal de Contas da União, que antes tentava abrir os dados desses deslocamentos, aderiu à mesma prática. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, também viajou em aeronaves da FAB com poucos passageiros. A justificativa para um dos voos foi uma “agenda institucional incompatível com voos comerciais”.

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