O governo federal utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar líderes de 13 países do Caribe até Brasília, onde participaram da Cúpula Brasil-Caribe, realizada em 13 de junho.
Segundo o Itamaraty, a medida buscou garantir maior presença de autoridades no evento, diante da ausência de estrutura aérea oficial em muitos dos países convidados. O avião da FAB fez paradas em Nassau (Bahamas), Porto de Espanha (Trinidad e Tobago) e Georgetown (Guiana) para embarque das delegações.
Entre os países atendidos estavam Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Santa Lúcia, Granada, Guiana, Haiti, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Jamaica, Trinidad e Tobago, além de representantes da Caricom e da Associação dos Estados do Caribe.
O governo também ofereceu hospedagem oficial para os chefes de delegação, prática comum em eventos internacionais semelhantes. A justificativa incluiu o alto custo de voos comerciais com escalas e a baixa conectividade entre o Brasil e a região caribenha.
Na cúpula, os líderes trataram de temas como a crise no Haiti, metas da COP30, ampliação da Celac e parcerias contra a fome e a pobreza. Lula anunciou um aporte de US$ 5 milhões ao Banco de Desenvolvimento do Caribe, valor abaixo dos US$ 9 milhões inicialmente cogitados.
A prática de transportar autoridades estrangeiras em aviões da FAB também ocorreu durante o governo Bolsonaro, quando o presidente da Guiné-Bissau foi trazido ao Brasil. À época, o Planalto usou como justificativa os laços históricos com o país africano e as restrições provocadas pela pandemia.
A decisão de usar recursos públicos em deslocamentos internacionais voltou ao debate após o caso da brasileira Juliana Marins, morta na Indonésia. Após repercussão negativa, Lula autorizou o traslado do corpo e anunciou mudança no decreto de 2017 que limitava o uso de aviões oficiais.