Chiquini: PF ignorou decreto golpista encontrado com Mauro Cid - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Chiquini: PF ignorou decreto golpista encontrado com Mauro Cid

Defesa diz que celular de Mauro Cid guarda decreto golpista, slides da reunião e mensagens não investigadas pela PF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Defesa afirma que arquivos de Cid mostram autoria de minuta e decretos

O advogado Jeffrey Chiquini afirmou no julgamento do núcleo 2 do STF que o celular e o computador de Mauro César Barbosa Cid contêm elementos centrais da narrativa atribuída a Filipe Martins pela acusação. Segundo ele, existem nos aparelhos “o slide que foi apresentado aos comandantes”, além de “o decreto golpista que ele escreveu” antes do segundo turno das eleições. Chiquini disse ainda que Cidrabiscou uma mensagem para o ministro Gilmar Mendes após o golpe”, material que teria sido ignorado pela PF e pela PGR.

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O advogado contestou a atribuição de Martins ao chamado núcleo jurídico. Disse que a PF citou o nome do ex-assessor no relatório final, embora “Filipe Martins nunca tenha prestado assessoria jurídica”, conforme declarou o ex-presidente Jair Bolsonaro em interrogatório. Segundo ele, listas usadas para sustentar essa classificação incluem promotores militares que não foram investigados.

Chiquini afirmou que o verdadeiro núcleo jurídico “era Mauro César Barbosa Cid”, apontando que os aparelhos apreendidos continham textos, minutas, rascunhos e mais de 30 referências ao artigo 142 da Constituição. Ele disse que a defesa acessou um arquivo que registra os “considerandos” apresentados no dia 7 de dezembro e que o material confirma a autoria de Cid. “Está descoberta a verdade. Mauro César Barbosa Cid criou o Filipe Martins como ministro”, afirmou.

O advogado lembrou que Alexandre de Moraes percebeu desde o início que Cid “estava protegendo pessoas”. Ele disse que o delator produziu e armazenou em seus próprios aparelhos um decreto de instalação de um tribunal constitucional militar, redigido “de madrugada”, em 25 de outubro, antes do segundo turno. A defesa afirma que nem a PF nem a PGR mencionaram esse documento.

Chiquini reforçou que não existe “uma mensagem de quaisquer dos envolvidos” que faça referência a Filipe Martins e que, nos dispositivos do ex-assessor, “nunca encontraram nada”. Segundo ele, Cid usava dois celulares e enviava arquivos de um aparelho a outro, inclusive a minuta e o rascunho da mensagem destinada ao ministro Gilmar Mendes, que continha, segundo o advogado, “uma demonização do ministro relator”.

O defensor afirmou que Cid pressionou comandantes militares por meio de mensagens e que oficiais que não aderiram à ideia de instalar um tribunal militar acabaram presos, enquanto “Mauro Cid é o único que está solto e Filipe Martins é acusado por esse cara”. Ele disse que a investigação não aponta nenhum documento atribuído a Martins e que o delator “precisou criar alguém” para desviar a responsabilidade após a apreensão de seus aparelhos.

Chiquini relatou que Cid forneceu ao delegado a lista provisória de passageiros e os registros de entrada no Palácio da Alvorada, que incluíam o nome de Martins, enquanto documentos oficiais não o mencionavam. Ele afirmou que o delegado aceitou “a casca de banana” e pediu a prisão com base nesses materiais, apesar de existir lista oficial sem o nome do ex-assessor.

O advogado disse que os arquivos extraídos do celular de Cid comprovam que ele próprio apresentou a minuta aos comandantes, conforme relataram o presidente Jair Bolsonaro e o almirante Almir Garnier. “O celular do Mauro Cid é a prova de que ele criou a minuta e apresentou a minuta aos comandantes”, afirmou.

Chiquini mencionou ainda o único documento com metadados atribuídos a Filipe Martins: o rascunho de um discurso escrito na condição de assessor presidencial. Segundo ele, a PF sugeriu à imprensa que o texto seria destinado a contestar o resultado eleitoral, mas o conteúdo diz o oposto. O advogado leu o trecho: “por isso mesmo considerando essa eleição ilegítima, não irei contestá-la”.

O texto prossegue com a mensagem atribuída a Martins: “seremos a oposição mais forte que a esquerda já teve em sua história” e “seguirei firme em meu compromisso com a nossa nação”. Segundo a defesa, o documento demonstra que Felipe Martins defendia atuação institucional e oposição política, não ruptura.

Ao encerrar, Chiquini afirmou que Filipe Martins “nunca esteve envolvido em qualquer narrativa de se colocar contra a eleição” e reiterou que o pleito da defesa é que “se considerem as provas oficiais”.

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