Defesa mostra que dados oficiais excluem Filipe Martins de reunião no Alvorada
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa mostra que dados oficiais excluem Filipe Martins de reunião no Alvorada

Chiquini - defesa filipe martins

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Chiquini afirma que apenas Mauro Cid coloca Martins em reunião chave de suposta trama golpista

O advogado Jeffrey Chiquini afirmou, no julgamento do núcleo 2 no STF, que a acusação contra Felipe Martins sustenta-se “somente na palavra de Mauro Cid”, apesar de depoimentos e documentos oficiais que, segundo ele, demonstram que Martins não esteve na reunião atribuída a ele no Palácio da Alvorada. Chiquini disse que “temos cinco depoimentos que dizem que Felipe Martins não esteve na reunião” e que a versão oposta parte “de um dissimulado, um mentiroso”, em referência ao delator.

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O advogado declarou que dados de geolocalização fornecidos pela Uber — já em poder da PF desde outubro de 2023 — mostram que Martins não se encontrava no Alvorada no dia e horário indicados na denúncia. Segundo ele, “a Uber não mente” e forneceu informações oficiais a pedido do ministro Alexandre de Moraes.

Chiquini afirmou que documentos do GSI publicados em Diário Oficial da União confirmam que “Felipe Martins não esteve no Palácio da Alvorada no dia 7 de dezembro”, data apontada pela acusação como central. Ele disse que esses registros contrastam com planilhas produzidas pela PF a partir de anotações manuscritas, às quais atribuiu inconsistências de origem e autoria.

O advogado criticou o surgimento tardio dos registros manuscritos apresentados nas alegações finais, observando que “três anos depois surgiu o registro manuscrito”, sem perícia e sem explicação sobre a ausência do documento durante toda a instrução. Ele destacou divergências entre assinaturas atribuídas ao Segundo-Sargento Gomes e declarou: “Quantos sargentos Gomes existiam cuidando da entrada?

Chiquini reforçou que Mauro Cid tinha o controle das listas utilizadas na investigação: “Mauro César Barbosa Cid forneceu ao delegado a lista provisória de viajantes que tinha o nome de Felipe Martins. A oficial não tinha.” Segundo ele, o delator também forneceu registros de entrada no Alvorada que incluíam Martins, enquanto documentos oficiais publicados pelo governo não traziam seu nome.

A defesa citou posicionamento da Controladoria-Geral da União, segundo o qual os registros manuscritos do GSI são “imprestáveis” como prova. Chiquini afirmou que a acusação tenta sustentar a participação de Martins no dia 7 “com o depoimento de Mauro Cid, que dá quatro versões”, enquanto cinco testemunhas afirmaram que Martins não participou da reunião.

O advogado ressaltou depoimentos presenciais. O general Freire Gomes afirmou em juízo que “não era Felipe Martins na reunião do dia 7”. O brigadeiro Batista Júnior declarou que “nunca estive em reunião com Felipe Martins”. E o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio, disse em contraditório que “Felipe Martins não estava”. Chiquini destacou que essas testemunhas foram arroladas pela própria acusação.

O advogado também contestou a inclusão do nome de Martins em uma listagem associada ao gabinete de gestão de crise. Segundo ele, “essa lista é imputada ao Felipe Martins”, embora o general Mário tenha esclarecido que o nome correto seria Rafael Martins. Ele afirmou ainda que uma listagem feita 45 minutos depois, com os mesmos metadados, “não tinha o nome de Felipe Martins”.

Chiquini argumentou que todas as datas atribuídas a reuniões com o presidente Jair Bolsonaro e a apresentação da minuta golpista são contraditadas por registros oficiais: “Em Diário Oficial da União, o nome de Felipe Martins não está”. Ele acrescentou que as testemunhas “não o colocam em nenhuma das reuniões” e que, do outro lado, a acusação se apoia apenas na palavra de Mauro Cid.

Ao concluir, Chiquini resumiu a tese central da defesa: “Tudo que tem contra Felipe Martins é um maurocídio.

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