Chiquini afirma que apenas Mauro Cid coloca Martins em reunião chave de suposta trama golpista
O advogado Jeffrey Chiquini afirmou, no julgamento do núcleo 2 no STF, que a acusação contra Felipe Martins sustenta-se “somente na palavra de Mauro Cid”, apesar de depoimentos e documentos oficiais que, segundo ele, demonstram que Martins não esteve na reunião atribuída a ele no Palácio da Alvorada. Chiquini disse que “temos cinco depoimentos que dizem que Felipe Martins não esteve na reunião” e que a versão oposta parte “de um dissimulado, um mentiroso”, em referência ao delator.
O advogado declarou que dados de geolocalização fornecidos pela Uber — já em poder da PF desde outubro de 2023 — mostram que Martins não se encontrava no Alvorada no dia e horário indicados na denúncia. Segundo ele, “a Uber não mente” e forneceu informações oficiais a pedido do ministro Alexandre de Moraes.
Chiquini afirmou que documentos do GSI publicados em Diário Oficial da União confirmam que “Felipe Martins não esteve no Palácio da Alvorada no dia 7 de dezembro”, data apontada pela acusação como central. Ele disse que esses registros contrastam com planilhas produzidas pela PF a partir de anotações manuscritas, às quais atribuiu inconsistências de origem e autoria.
O advogado criticou o surgimento tardio dos registros manuscritos apresentados nas alegações finais, observando que “três anos depois surgiu o registro manuscrito”, sem perícia e sem explicação sobre a ausência do documento durante toda a instrução. Ele destacou divergências entre assinaturas atribuídas ao Segundo-Sargento Gomes e declarou: “Quantos sargentos Gomes existiam cuidando da entrada?”
Chiquini reforçou que Mauro Cid tinha o controle das listas utilizadas na investigação: “Mauro César Barbosa Cid forneceu ao delegado a lista provisória de viajantes que tinha o nome de Felipe Martins. A oficial não tinha.” Segundo ele, o delator também forneceu registros de entrada no Alvorada que incluíam Martins, enquanto documentos oficiais publicados pelo governo não traziam seu nome.
A defesa citou posicionamento da Controladoria-Geral da União, segundo o qual os registros manuscritos do GSI são “imprestáveis” como prova. Chiquini afirmou que a acusação tenta sustentar a participação de Martins no dia 7 “com o depoimento de Mauro Cid, que dá quatro versões”, enquanto cinco testemunhas afirmaram que Martins não participou da reunião.
O advogado ressaltou depoimentos presenciais. O general Freire Gomes afirmou em juízo que “não era Felipe Martins na reunião do dia 7”. O brigadeiro Batista Júnior declarou que “nunca estive em reunião com Felipe Martins”. E o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio, disse em contraditório que “Felipe Martins não estava”. Chiquini destacou que essas testemunhas foram arroladas pela própria acusação.
O advogado também contestou a inclusão do nome de Martins em uma listagem associada ao gabinete de gestão de crise. Segundo ele, “essa lista é imputada ao Felipe Martins”, embora o general Mário tenha esclarecido que o nome correto seria Rafael Martins. Ele afirmou ainda que uma listagem feita 45 minutos depois, com os mesmos metadados, “não tinha o nome de Felipe Martins”.
Chiquini argumentou que todas as datas atribuídas a reuniões com o presidente Jair Bolsonaro e a apresentação da minuta golpista são contraditadas por registros oficiais: “Em Diário Oficial da União, o nome de Felipe Martins não está”. Ele acrescentou que as testemunhas “não o colocam em nenhuma das reuniões” e que, do outro lado, a acusação se apoia apenas na palavra de Mauro Cid.
Ao concluir, Chiquini resumiu a tese central da defesa: “Tudo que tem contra Felipe Martins é um maurocídio.”
