Prisão de Felipe Martins foi baseada em documento provisório entregue por Cid e ignorou registros oficiais
O advogado Jeffrey Chiquini afirmou, no julgamento do núcleo 2 no STF, que a prisão de Felipe Martins foi fundamentada em um documento provisório entregue por Mauro Cid à Polícia Federal. Segundo ele, a PF e a PGR ignoraram registros oficiais que comprovavam que Martins não deixou o país e mantiveram uma investigação baseada em “narrativas falsas”.
Chiquini declarou que seu cliente foi preso por “uma viagem que não fez, denunciado por uma minuta que não existe e julgado por reuniões que não participou”. Ele disse que a origem dessas acusações está na delação de Mauro Cid, que teria produzido uma lista editável de viagens usada como base para o pedido de prisão.

De acordo com o advogado, Cid era quem controlava as listas provisórias e repassou o documento à PF durante a colaboração premiada. A partir disso, o delegado responsável representou pela prisão de Martins, embora existisse, segundo a defesa, uma lista oficial publicada no Diário Oficial da União que não incluía o nome do ex-assessor na comitiva presidencial.
Chiquini afirmou que o delegado “encapou a narrativa de Mauro Cid” ao adotar o documento informal sem consultar os registros oficiais disponíveis. Ele destacou que, desde outubro de 2023, a PF já possuía dados de geolocalização de ERB e registros da Uber indicando que Martins permaneceu no Brasil. Mesmo assim, o pedido de prisão foi realizado meses depois.
A defesa disse que Martins só foi libertado quando conseguiu acessar esses dados e demonstrar que ele não havia saído do país, ponto reconhecido posteriormente pela PGR. Chiquini citou ainda que o governo dos Estados Unidos enviou informações oficiais confirmando que Martins não entrou em território americano.
O advogado afirmou que, enquanto a acusação se baseou em documentos extraoficiais, a defesa utilizou apenas registros oficiais. Ele mencionou o uso, pela PF, do documento americano “Travel History”, classificado por ele como imprestável para fins judiciais, enquanto o formulário I-94 — que confirmaria a ausência de entrada nos EUA — teria sido ignorado.

Chiquini disse que a prisão deu início ao que chamou de “guerra de narrativas falsas” contra seu cliente, reforçando que todas as acusações derivariam da delação de Mauro Cid.
