No pronunciamento após o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir a ação penal por suposto golpe de Estado, Jair Bolsonaro disse que é acusado injustamente por questionar o sistema eleitoral. Lembrou que, foi em 2021, quando descobriu que a Polícia Federal havia aberto um inquérito para apurar suspeitas de invasão a urnas em 2018.
Ele disse que, depois de trazer a informação à tona, o inquérito foi classificado como sigiloso e nunca mais foi concluído. “Por que o ministro Alexandre de Morares não torna público esse inquérito e passa tudo a limpo?”, questionou. Bolsonaro lembrou que o próprio TSE trabalhou pela impressão do voto por anos, mas depois recuou.
Em relação às acusações de tentar fraudar as eleições de 2022, Bolsonaro voltou a defender o voto impresso, afirmando que desde 2012 já havia levantado a questão no Congresso.
“Eu não sou obrigado a confiar num programador, eu confio na máquina, mas não sou obrigado a confiar no programador. Na Venezuela, só foi possível apurar a fraude por conta do voto impresso”, argumentou. Ele ainda comparou o sistema eleitoral brasileiro ao da Venezuela e criticou a postura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação às eleições.
“Na Venezuela só foi possível detectar fraude por causa do voto impresso. Foi a primeira vez que a Venezuela adotou o voto impresso. Por que a Venezuela fez isso? Já que o sistema eleitoral dele era exatamente igual o nosso.”
As eleições na Venezuela usaram no ano passado a emissão de um recibo após cada votação, depositado em uma segunda urna para conferência posterior. A oposição, no entanto, usou os boletins de urna, que existem no Brasil, para contestar o resultado favorável ao ditador Nicolás Maduro.
Maduro foi pressionado por Joe Biden a mudar o sistema em troca da retirada de sanções sobre o comércio de petróleo. Em contrapartida, provavelmente já sabendo que ia perder, Maduro tornou os principais opositores, Maria Corina Machado e Henrique Capriles, inelegíveis.
“Com a acusação de atos antidemocráticos. Subiram no carro de som e criticaram o governo Maduro. Isso passou a ser ato antidemocrático. A gente começa a lembrar um pouquinho do Brasil ou não?”, questionou.
Bolsonaro ainda afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral teria influenciado as eleições de 2022 a favor do candidato indicado por Lula, Fernando Haddad. “Houve interferência no TSE nas eleições de 2022? Não vamos falar de fraude aqui. 100% confiáveis as urnas? Durante as eleições, o TSE influenciou contra mim a favor do candidato Lula”, disse.
Bolsonaro reclama de provas ignoradas
O ex-presidente também apontou falhas no inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, afirmando que provas de sua inocência foram excluídas do inquérito. “2 de novembro. Alguns de vocês estavam lá na Alvorada. E eu fiz um pronunciamento à nação”, ressaltou, lendo o trecho em que dizia que “manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas nossos métodos não serão os da esquerda”.
Bolsonaro também mencionou uma live feita em 30 de dezembro de 2022, antes de viajar aos Estados Unidos, que não foi incluída na investigação. “Infelizmente essas imagens não estão no inquérito porque o Alexandre de Moraes não quer”, afirmou.
O ex-presidente reiterou que nunca incentivou atos de violência. “Em nenhum momento fui procurado para fazer nada de errado. Violentando seja o que for. Eu entendo que fiz a minha parte. Estou fazendo até agora”, afirmou.
Bolsonaro questionou a absoluta ausência de provas ligando-o ao 8 de janeiro, citando, inclusive, os acordos de não persecução penal assinados por centenas de pessoas. “500 pessoas aproximadamente assinaram um acordo. E ele [Moraes] disse que, no acordo, essas pessoas admitiam que estavam indo para um golpe. 500 pessoas se programando para um golpe. E ninguém sabia. Também, nesse depoimento, ninguém cita meu nome”, disse.
“Infelizmente essas imagens não estão no inquérito porque o Alexandre de Moraes não quer”, afirmou.
