Alive: “Precisava dar voz a essas pessoas”, diz Marina Helena ao lançar documentário sobre o 8 de janeiro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Alive: “Precisava dar voz a essas pessoas”, diz Marina Helena ao lançar documentário sobre o 8 de janeiro

Marina explicou que a motivação para o projeto surgiu da ausência de produções que retratassem o episódio sob a perspectiva dos acusados e de suas famílias
Marina explicou que a motivação para o projeto surgiu da ausência de produções que retratassem o episódio sob a perspectiva dos acusados e de suas famílias. Foto: Republicação/ Youtube Portal Claudio Dantas

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Por Redação

Economista falou ao programa sobre o longa “Anistia — As Histórias Não Contadas”

O programa Alive, apresentado pelo jornalista Cláudio Dantas, recebeu nesta sexta-feira (24) a economista Marina Helena, autora do documentário “Anistia — As Histórias Não Contadas”.

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Produzido pela Revista Oeste e lançado na última quarta-feira (22), o longa-metragem aborda as histórias de brasileiros envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, com foco em casos individuais de manifestantes e de seus familiares.

Durante a entrevista, Marina explicou que a motivação para o projeto surgiu da ausência de produções que retratassem o episódio sob a perspectiva dos acusados e de suas famílias.

Segundo ela, o único documentário disponível até então apresentava uma narrativa centrada em autoridades e figuras políticas, o que a levou a propor “uma versão mais humana e plural dos fatos”.

A economista relatou que o processo de produção foi intenso e emocionalmente desafiador e trouxe a experiência de cinco pessoas que não depredaram nada.

“Eles chegaram depois e foram presos”.

Grávida de quase seis meses, ela teve apenas três meses para realizar as filmagens e concluir o projeto.

“Foi o trabalho mais difícil da minha vida. Dá mais trabalho do que ter um filho ou fazer uma campanha. Mas eu precisava dar voz a essas pessoas”, afirmou Marina.

Casos retratados

O documentário reúne histórias de brasileiros que, segundo a autora, foram presos injustamente ou sofreram consequências graves após os eventos do dia 8 de janeiro.

Entre os casos destacados está o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por escrever a frase “perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Também é abordada a história de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que faleceu durante um banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

De acordo com a família, Cleriston chegou às manifestações por volta das 17h, após o expediente em seu comércio de bebidas, e teria entrado no Senado devido ao excesso de gás lacrimogêneo nas proximidades.

Já o Ministério Público Federal (MPF) o denunciou por “auxiliar, provocar e insuflar o tumulto, com o intento de tomada do poder e destruição do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal”.

Outro caso abordado é o de Ademir da Silva, vendedor ambulante que, segundo a diretora, foi detido mesmo sem participar dos atos. Ele teria chegado a Brasília após o término das manifestações e foi preso com suas mercadorias e R$ 5 mil em dinheiro.

“Ele ficou preso por causa de uma postagem de 2018 dizendo ‘Fora Dilma’. É inacreditável. Isso mostra o tamanho da arbitrariedade que vivemos”, criticou Marina.

Marina Helena reforçou que o propósito central do documentário é “falar com todos os brasileiros”, independentemente de posição política.

“Evitei entrar nos núcleos principais do caso Bolsonaro ou nas disputas políticas. A ideia era mostrar as histórias humanas. Quero que pessoas que nunca ouviram sobre o que aconteceu entendam o lado dessas famílias”, explicou.

Visão humanizada 

A economista destacou que muitos brasileiros ainda desconhecem os detalhes e as consequências do 8 de janeiro.

“Foram 243 presos no dia 8 e mais de 1.900 pessoas levadas à Academia Nacional de Polícia. Por trás desses números, há histórias de vida. Se uma pessoa assistir e entender o que essas famílias passaram, já valeu a pena”, declarou.

Marina finalizou destacando o caráter humano da produção e o desejo de sensibilizar a sociedade.

“O Clezão não volta mais, mas a família dele quer apenas que o nome dele seja limpo. Que ele não seja lembrado como um criminoso. É isso que queremos com o documentário: mostrar a dor e a injustiça que essas pessoas vivem.”

O documentário “Anistia — As Histórias Não Contadas” está disponível gratuitamente no canal da Revista Oeste no YouTube e nas redes sociais de Marina Helena (@marinahelenabr).

Assista ao programa completo:

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