Ministro afirma que mudou de posição e que “não há demérito” em reconhecer erros
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (21) que cometeu “injustiças” nos julgamentos de réus dos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele explicou que mudou de entendimento por considerar que algumas decisões, tomadas sob “lógica de urgência”, não podem mais ser sustentadas.
“Meu entendimento anterior, embora amparado pela lógica da urgência, incorreu em injustiças que o tempo e a consciência já não me permitiam sustentar”, declarou o ministro durante o julgamento do núcleo 4 da chamada trama golpista, ligado à disseminação de desinformação.
Fux indicou que vai absolver os réus pelos crimes de tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Disse ainda que seu voto representa “firmeza na defesa do Estado de Direito”, e não fragilidade.
“O magistrado não deve buscar a coerência no erro”, afirmou, acrescentando que “não há demérito em mudar de posição quando se reconhece o próprio equívoco”.
O ministro citou o jurista italiano Piero Calamandrei: “Há mais coragem em ser justo parecendo ser injusto, do que ser injusto para salvaguardar as aparências da justiça”.
Fux foi o único ministro da Primeira Turma a votar pela absolvição da maioria dos réus do núcleo 4, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos julgamentos anteriores, ele havia acompanhado o relator Alexandre de Moraes, mas passou a divergir nos casos mais recentes.
