“Indícios robustos de crimes financeiros”, diz Dantas sobre investigação do Master - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

“Indícios robustos de crimes financeiros”, diz Dantas sobre investigação do Master

Fundo Garantidor de Crédito pode cobrir bilhões após fraudes
Fundo Garantidor de Crédito pode cobrir bilhões após fraudes. Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas.

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Apuração cita manipulação de ativos, empresas de fachada e gestão fraudulenta no banco

Durante o programa Alive, transmitido no YouTube nesta quarta-feira (19), o apresentador Claudio Dantas comentou o escândalo do Banco Master, investigado pela Polícia Federal (PF).

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Ele mencionou a existência de “indícios robustos” de crimes financeiros na investigação, como manipulação de ativos (quando o banco inflaciona o valor de seus investimentos), uso de empresas de fachada (para esconder operações) e gestão fraudulenta (má administração para enganar investidores).

Segundo estimativas de Dantas, baseadas em interlocutores do setor, o montante que poderá ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC, que é um seguro para proteger clientes caso um banco quebre) varia entre R$ 7 e 8 bilhões, bem abaixo dos R$ 41 bilhões divulgados amplamente.

Ele explicou que o cálculo de R$ 41 bilhões não considera que o FGC cobre apenas valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, excluindo grande parte dos investidores institucionais, como municípios, estados e fundos de previdência.

“Até onde apurei, seriam algo entre 7 e 8 bilhões, e não 41 bilhões. Se forem 41 bilhões, aí vem um novo Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer, programa criado pelo governo para socorrer bancos em crise). Os bancos nunca perdem, quem paga somos nós”, afirmou Dantas.

O apresentador acrescentou que o caso envolve grandes bancos, corretoras e gestores de fundos de previdência que adquiriram Certificado de Depósito Bancário (CDBs, que são investimentos em que o cliente empresta dinheiro para o banco e recebe juros) da instituição, o que deve ampliar o alcance das responsabilizações.

“Alertas imediatos”

Ary Alcântara, ex-secretário de Previdência Complementar e especialista em fundos de pensão, classificou o caso como anômalo em sua experiência.

“Não é possível um banco conviver com o conjunto de irregularidades que o Master convivia, com a fiscalização permanente que existe no sistema bancário.”

Ele questionou como instituições como o Banco de Brasília (BRB) teriam avaliado positivamente a compra de CDBs do Master diante de tantas inconsistências e ressaltou que taxas de remuneração de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI, é a taxa básica usada como referência para calcular juros de investimentos) deveriam ter acionado alertas imediatos.

Alcântara também apontou suspeitas de superavaliação de ativos, como precatórios adquiridos por 15% do valor de face, mas contabilizados por 100%, inflando artificialmente o patrimônio do banco.

Para investidores institucionais, como os Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) estaduais e municipais, Alcântara defendeu responsabilização pela gestão “completamente irresponsável, sem compliance”, ou seja, sem regras de controle e fiscalização interna.

Ele também mencionou a prática de “compra de prejuízo”, quando uma instituição adquire outra quebrada para absorver perdas contábeis, o que, segundo ele, é “frequentemente associada a atividades ilícitas”.

Conexões políticas

A cientista política Júlia Lucy ainda citou conexões políticas ligadas ao caso, envolvendo figuras de alto escalão, como:

  • Viviane de Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, contratada pelo Banco Master;
  • Ricardo Lewandowski, que integrou a folha de pagamento da instituição como consultor;
  • A gestão do BRB, indicada pelo governador do Distrito Federal;
  • A vida ostentosa de Daniel Vorcaro, presidente do Master, incluindo festa de 15 anos da filha estimada em R$ 15 milhões.

Ela reforçou que investidores que aplicaram em CDBs com rendimento até 130% do CDI deveriam ser investigados, já que o mercado já desconfiava de problemas de liquidez do Master (quando o banco não tem dinheiro suficiente para honrar pagamentos).

“Não existe milagre. Crime financeiro está compensando no Brasil.”

A investigação: alvos e suspeitas

A decisão do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, atinge diretores do Banco Master, executivos do BRB e responsáveis por fintechs usadas nas operações suspeitas. Entre os alvos estão:

  • Daniel Vorcaro, presidente do Master e principal beneficiário de um eventual socorro financeiro;
  • Luiz Antonio Bull, Angelo Ribeiro, Augusto Lima e outros diretores do Master envolvidos em contratos suspeitos;
  • Henrique Peretto e André Maia, dirigentes da Tirreno e da Cartos, empresas ligadas ao esquema;
  • Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, suspeito de gestão fraudulenta;
  • Dario Garcia Júnior e Robério Mangueiras, executivos do BRB envolvidos nas operações com o Master.

Exclusivo: Todos os alvos da operação contra o Banco Master

Segundo o magistrado, a investigação reúne “multiplicidade de ações delituosas” e documentação que aponta “para um suposto esquema articulado para fraudar o sistema financeiro, iludir órgãos de controle, prejudicar investidores e obter vantagens indevidas”.

Assista ao programa completo: 

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade