Alive: “O crime organizado está escancarado”, diz Dantas ao rebater fala do diretor da PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive: “O crime organizado está escancarado”, diz Dantas ao rebater fala do diretor da PF

Dantas afirmou que o fenômeno é muito mais amplo e estrutural do que o diretor-geral sugeriu
Dantas afirmou que o fenômeno é muito mais amplo e estrutural do que o diretor-geral sugeriu. Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas.

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Por Redação

Para o apresentador, declaração de Andrei Rodrigues minimiza a infiltração criminosa no Estado

O apresentador do programa Alive, Claudio Dantas, afirmou nesta terça-feira (18) que a fala do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, minimiza o alcance do crime organizado no país e ignora práticas e estruturas que, segundo ele, revelam infiltração criminosa em instituições do Estado e em setores estratégicos da economia.

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“O crime organizado está escancarado; basta olhar pela janela”, disse.

Reagindo à tentativa de Rodrigues de delimitar o conceito de crime organizado, Dantas afirmou que o fenômeno é muito mais amplo e estrutural do que o diretor-geral sugeriu aos parlamentares.

“O crime organizado tá aí, ó, para todo mundo ver. O resultado dele também. O que que é o crime organizado? É justamente esses grupos que têm hierarquia e organização, presentes na economia, em instituições de Estado. O crime organizado se infiltra”, afirmou.

O apresentador listou ações que, segundo ele, evidenciam a dimensão real dessas organizações:

  • compra de terras e refinarias;
  • adulteração de bebidas em larga escala;
  • importação de milhares de fuzis;
  • exportação de cocaína por rotas internacionais;
  • atuação com intermediários da máfia dos Bálcãs;
  •  influência em cargos públicos e aparelhamento de estruturas estatais.

“O crime organizado compra juiz, compra Ministério Público, compra policial, forma delegado de polícia e coloca dentro da Polícia Federal”, disse.

Dantas criticou ainda a PF por, em sua avaliação, priorizar ações contra manifestantes de 8 de janeiro enquanto evita debater infiltrações profundas no sistema de justiça e na máquina estatal.

“Pessoas comuns, sem vinculação partidária, sendo condenadas como terroristas a 14, 15, 16 anos… sem ter um estilingue. Enquanto isso, o crime organizado está dentro das instituições. Precisa mesmo explicar para você?”, questionou.

A advogada Carol Sponza afirmou que a fala de Andrei ecoa a estratégia do governo federal para restringir o que pode ser tipificado como crime organizado, evitando responsabilizações mais amplas.

“Ele está repetindo o discurso do governo. Tentando limitar o máximo o que vai ser tipificado como crime organizado, para manter a impunidade”, disse.

Para Sponza, há risco de que projetos em discussão no Congresso, como o PL Antifacção, sejam “deturpados” para atender à narrativa governista.

O que disse o diretor-geral da PF

Durante sua exposição na CPI, Andrei Rodrigues pediu “clareza” na definição legal de crime organizado, afirmando que o termo é frequentemente usado de forma genérica e imprecisa.

Rodrigues citou operações integradas com Receita Federal, COAF, Banco Central e governos estaduais, além de ações de cooperação internacional na Amazônia, para demonstrar o avanço da PF no enfrentamento às organizações criminosas.

O diretor criticou o uso indiscriminado do termo “crime organizado” e disse que a falta de precisão dificulta a formulação de políticas e investigações eficientes.

Assista ao programa completo:

 

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