Moraes usa bravatas de Bolsonaro como prova de planejamento de golpe
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes usa bravatas de Bolsonaro como prova de planejamento de golpe

Moraes afirma que PF apontou Bacellar em organização criminosa; presidente da Alerj é preso por suspeita de vazamento da Operação Zargun

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro resgata ataques de 2021 e diz que declarações revelam intenção de não aceitar derrota

Alexandre de Moraes utiliza frases públicas de Jair Bolsonaro como base de seu voto no julgamento do núcleo 1 que acontece agora (09) no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro apresentou declarações do ex-presidente para sustentar que havia planejamento de golpe e ataque às instituições.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Entre os trechos citados estão falas conhecidas: “Só saio preso, morto ou com a vitória”, disse Bolsonaro em 2021. Na mesma época, também afirmou: “Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”.

Moraes declarou: “Isso não é conversa de bar. Isso não é alguém no clube conversando com um amigo. Isso é um presidente da República no 7 de Setembro, a data da independência do Brasil, instigando milhares de pessoas contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Poder Judiciário, especificamente contra um ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Em outro momento, relembrou a ameaça feita por Bolsonaro ao então presidente do STF, Luiz Fux: “Ou o chefe desse Poder enquadra os seus ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair”. Para Moraes, essa frase configurou confissão de crime: “Essa frase confessa perante milhares de pessoas o crime de abolição violenta do Estado democrático de Direito”.

O ministro também destacou discurso do 7 de Setembro de 2021, na Avenida Paulista: “Só saio preso, morto ou com vitória. Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso!”. Para Moraes, a declaração mostrou que Bolsonaro não aceitaria o resultado das urnas: “O líder do grupo criminoso deixa claro, de viva voz, de forma pública pra toda sociedade, que jamais aceitaria uma derrota nas urnas”.

Bolsonaro não esteve presente na sessão. Alegando problemas de saúde, permanece em prisão domiciliar em Brasília, representado por seus advogados.

Nos bastidores, ministros da turma mantiveram-se concentrados em anotações e documentos, enquanto apenas o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acompanhava o voto de Moraes com mais atenção.

Assista ao vivo o julgamento:

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade