Presa na Itália, Carla Zambelli divulgou há pouco uma carta de renúncia ao mandato de deputada federal. Segundo ela, o ato seria um “marco de resistência” diante da decisão de Alexandre de Moraes de determinar sua cassação, mesmo após a Câmara dos Deputados decidir não fazê-lo.
“Renuncio para que fique registrado na História que, mesmo sem provas reconhecidas pelo Parlamento, a vontade de um outro Poder se sobrepôs à vontade popular. Este gesto não é uma rendição. É um marco de resistência. É a afirmação de que mandatos passam, mas princípios são inegociáveis.”
Ainda na carta, Zambelli diz que sua renúncia serve para “denunciar que um mandato legitimado por quase um milhão de votos foi interrompido apesar do reconhecimento formal, por esta Casa, da inexistência de provas para sua cassação”. “Renuncio. Não por medo, não por fraqueza, não por desistência.”
Após a comunicação à Secretaria-Geral da Mesa, Hugo Motta já determinou a convocação do suplente, deputado Adilson Barroso (PL-SP). Desde que Moraes anulou a sessão da Câmara que decidiu não cassar Zambelli, Motta enfrentava o dilema de desobedecer Moraes ou efetivar sua decisão, admitindo a inconstitucionalidade da medida.
O anúncio de Zambelli viabilizou uma saída institucional para o presidente da Câmara.
