Corporação pede ao STF abertura de investigação após Alfândega dos EUA falar em fraude
A Polícia Federal (PF) pediu nesta segunda-feira (20) ao STF a abertura de investigação sobre o registro de entrada de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos, em 30 de dezembro de 2022.
A solicitação foi feita após o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) negar que Martins tenha entrado no país, contradizendo informações anteriores nos sistemas migratórios americanos.
Foi com base no registro fraudado da entrada de Martins que a PF pediu sua prisão preventiva por 6 meses. A defesa do ex-assessor, porém, sempre questionou a informação e provou nos autos que o argumento era falso.
Com a conclusão do CBP, aumentaram as suspeitas de uma possível interferência de autoridades brasileiras. De principal suspeita, a PF agora tenta inverter o ônus da fraude, jogando a culpa sobre a comitiva de Bolsonaro.
“O registro de entrada, ainda que em caráter indiciário, revela a possibilidade de que integrantes da organização criminosa, abusando dolosamente das prerrogativas diplomáticas, tenham se utilizado do procedimento migratório diferenciado relacionado a comitivas de chefes de Estado, no qual não há a presença física dos integrantes da comitiva presidencial perante as autoridades migratórias, com a finalidade de simular uma falsa entrada de Filipe Martins em território norte-americano”, afirmou o delegado Fabio Shor.
É o verdadeiro poste mijando no cachorro. Na ocasião da inserção do registro falso já em 2024, Martins estava preso, assim como vários ex-assessores de Bolsonaro, o que torna a suspeita da PF uma tentativa grotesca de jogar a culpa na vítima.
Martins é réu no STF, acusado de ter participado da elaboração da suposta minuta golpista que visava reverter os resultados das eleições de 2022. Ele integra o chamado no “núcleo 2” da suposta trama golpista.
Ele foi preso em fevereiro de 2024 e solto apenas em agosto, mas permanece sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de usar redes sociais, dar entrevistas e deixar o município sem autorização judicial.
