CFM anula sindicância sobre atendimento a Bolsonaro após decisão de Moraes
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CFM anula sindicância sobre atendimento a Bolsonaro após decisão de Moraes

Jair Bolsonaro será submetido a nova cirurgia
Foto: Carlos Bolsonaro/Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Conselho diz ter cumprido ordem judicial e nega interferência na execução da pena

O Conselho Federal de Medicina (CFM) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que cumpriu a decisão judicial e anulou a sindicância sobre a assistência médica prestada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Na terça-feira (7), após o anúncio da abertura do procedimento, Moraes determinou a anulação, sob o argumento de desvio de finalidade. O ministro também ordenou que a Polícia Federal colhesse o depoimento do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, no prazo de dez dias.

Ao comunicar o cumprimento da decisão, José Hiran encaminhou explicações ao ministro. Segundo o CFM, o conselho recebeu mais de 40 denúncias formais relacionadas à assistência médica prestada a Bolsonaro. Uma delas foi apresentada pela deputada federal Bia Kicis.

De acordo com o conselho, a abertura da sindicância ocorreu em cumprimento à legislação que rege a atuação da entidade. O documento informa ainda que, entre 2020 e 2025, foram instaurados 34.003 procedimentos em todo o país, com média de aproximadamente 18,65 casos por dia.

O CFM afirmou que a sindicância não tinha como objetivo interferir na execução da pena, mas apurar eventuais irregularidades e resguardar a atuação dos profissionais médicos e a regularidade institucional. Com as explicações, o conselho solicitou o cancelamento do depoimento de José Hiran à Polícia Federal.

“O Conselho Federal de Medicina jamais pretendeu exercer qualquer competência correcional em relação à Polícia Federal, inexistindo, por conseguinte, qualquer intenção de intervir na execução da pena ou de promover ingerência em atribuições constitucionalmente conferidas a outros órgãos do Estado”, diz o documento enviado ao ministro.

No início da semana, Bolsonaro sofreu uma queda na cela onde está detido e bateu a cabeça. A defesa solicitou transferência hospitalar para exames, inicialmente negada por Moraes com base em avaliação médica da PF. No dia seguinte, após a apresentação de laudos, o ex-presidente foi levado ao hospital, realizou exames e retornou à prisão no mesmo dia. Até o momento, não há informação de complicações decorrentes do episódio.

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