Após críticas, tribunal cancela projeto de espaço que custaria mais de R$ 1,5 milhão em dois anos
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) voltou atrás e cancelou o contrato que previa a construção de uma sala VIP exclusiva para seus ministros no Aeroporto Internacional de Brasília, proposta que vinha sendo alvo de críticas desde que se tornou pública.
Em pedido enviado via Lei de Acesso à Informação (LAI), pela cientista política e ex-deputada distrital Júlia Lucy, comentarista do Portal Claudio Dantas, exigiu esclarecimentos sobre os custos, benefícios e critérios de uso do espaço reservado.
“O TST, senhoras e senhores, desistiu de construir uma sala VIP para que os seus 33 ministros pudessem utilizar no aeroporto de Brasília. A ideia era trazer privacidade às suas excelências, mas a pressão pública funcionou e eles desistiram”, afirmou Júlia Lucy em vídeo publicado nas redes sociais.
“Ficou escancarado que estávamos diante de mais uma despesa com o seu dinheiro para bancar privilégio dessa gente que se julga como uma casta superior no Brasil”, completou.
TST recua de sala VIP para ministros em aeroporto de Brasília.
Em pedido enviado via Lei de Acesso à Informação (LAI), pela cientista política e ex-deputada distrital @julialucydf, comentarista do Portal Claudio Dantas, exigiu esclarecimentoshttps://t.co/NFJiSw01Hb pic.twitter.com/Y1Qp2CCUFf
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O contrato previa uma sala de 44 metros quadrados, com copa, banheiros privativos e acabamento em granito, além de transporte direto dos ministros até a porta das aeronaves. O custo estimado ultrapassaria R$ 1,5 milhão em dois anos. O contrato, válido até abril de 2027, previa um aluguel mensal de R$ 30 mil, além de R$ 2.639,70 em despesas de rateio.
Embora o TST tenha inicialmente justificado a sala como medida de segurança para os magistrados, esse argumento desapareceu de comunicados subsequentes.
No pedido enviado à corte, Lucy questionou a pertinência da despesa com a finalidade do tribunal, se os ministros poderiam utilizar a sala em viagens privadas (como férias) e se os familiares teriam acesso ao espaço. Segundo ela, “nenhuma dessas perguntas foi respondida de forma direta”.
Na análise jurídica registrada no documento via SEI, a Corte informou:
“Parece a esta Assessoria que a informação solicitada pela interessada possa ser suprida mediante o encaminhamento de cópia integral do processo administrativo que tratou da aquisição dos veículos de representação, devendo-se adotar a cautela quanto à ocultação da parte do processo que tenha algum dado pessoal”.
Em resposta ao questionamento sobre a aquisição de veículos de luxo para transporte de ministros, o documento acrescenta que, com relação ao valor dos veículos adquiridos pelo TST, “importa mencionar que se encontra compatível com o preço daqueles adquiridos ou alugados por outros órgãos da Administração Pública Federal”.
