O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou hoje (15) propostas que pretende defender em uma eventual campanha presidencial. Em entrevista ao Flow Podcast, ele afirmou que manterá o Bolsa Família, ampliará o acesso à internet e criará uma plataforma digital voltada à qualificação profissional, concessão de microcrédito e oferta de serviços públicos.
Segundo o parlamentar, sua proposta busca ampliar a mobilidade social e reduzir a dependência de programas assistenciais.
“Vou defender aquilo em que acredito. Tenho propostas completamente diferentes das que estão aí. Estou preparado para essa missão e sei que posso fazer um grande governo aproveitando o que aprendi com o presidente Bolsonaro e com meus 24 anos de vida pública”, afirmou.
Flávio disse que pretende reorganizar as contas públicas por meio da redução de despesas e do equilíbrio entre receitas e gastos.
“Tem tanta despesa para cortar que não é uma missão impossível organizar as contas, respeitar o orçamento, dar previsibilidade aos investidores e resgatar a credibilidade do país”, declarou.
Internet gratuita e ampliação do Gov.br
Entre as propostas, o senador defendeu a oferta de internet para toda a população, com prioridade para beneficiários de programas sociais.
Segundo ele, o governo Jair Bolsonaro foi responsável pela implantação da tecnologia 5G no Brasil e pela digitalização de serviços públicos por meio da plataforma Gov.br.
“O governo Bolsonaro foi o segundo mais digital do mundo. A plataforma Gov.br oferecia centenas de serviços públicos e agora foi sucateada por esse governo”, afirmou.
Flávio disse que pretende criar uma plataforma digital mais ampla, integrada ao CPF de cada cidadão, para reunir serviços públicos, programas sociais e oportunidades de qualificação.
Bolsa Família
O senador afirmou que manterá o Bolsa Família e descartou mudanças que levem ao fim do programa.
“Quem recebe Bolsa Família pode ficar tranquilo. Eu vou manter o Bolsa Família. Nenhum candidato deveria defender o fim do programa. Isso seria uma burrice”, disse.
Segundo Flávio, a proposta prevê que beneficiários que consigam emprego com carteira assinada ou abram uma empresa como microempreendedor individual (MEI) continuem recebendo o benefício por um período.
Ele afirmou que a maioria dos beneficiários já exerce alguma atividade remunerada.
“Hoje cerca de 70% das pessoas que recebem Bolsa Família trabalham. A maioria faz atividade informal. Essa ideia de que quem recebe Bolsa Família é vagabundo não corresponde à realidade”, declarou.
O senador também relembrou que, durante o governo Bolsonaro, o benefício mínimo passou para R$ 600 e que mães chefes de família receberam R$ 1.200 durante a pandemia.
Qualificação e incentivo financeiro
Flávio afirmou que a plataforma também oferecerá cursos profissionalizantes, orientação para formalização de pequenos negócios e acesso facilitado ao microcrédito.
Como incentivo, propôs um sistema de recompensas semelhante ao cashback utilizado por instituições financeiras.
Segundo ele, beneficiários que concluírem cursos de qualificação ou economizarem parte do auxílio poderão receber bonificações.
“Se a pessoa fizer um curso de qualificação, recebe um cashback para estimular esse aprendizado. Se economizar parte do benefício, o governo complementa esse valor para incentivar a educação financeira”, afirmou.
O senador disse que a plataforma também permitirá que trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores tenham acesso a crédito para abrir ou ampliar seus negócios.
Custo do programa
Ao comentar a viabilidade da proposta, Flávio afirmou que estudos preliminares estimam em cerca de R$ 2 bilhões o custo anual para oferecer internet gratuita aos beneficiários de programas sociais.
“Em um orçamento de trilhões de reais, R$ 2 bilhões não representam um valor significativo”, disse.
O senador também citou a atuação do empresário Elon Musk durante o governo Bolsonaro, afirmando que a empresa forneceu conexão via satélite para escolas, unidades de saúde e comunidades indígenas.
Educação
Ao final da entrevista, Flávio voltou a defender investimentos em educação e inclusão digital. Ele criticou o presidente Lula e atribuiu ao petista uma frase segundo a qual pessoas mais instruídas deixariam de votar no PT.
“O Lula fala que, quanto mais inteligente o povo brasileiro fica, menos vota no PT. Quem disse isso foi ele”, afirmou.