Trump aguarda ligação de Xi para negociação de tarifas - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Trump aguarda ligação de Xi para negociação de tarifas

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

A suspensão de tarifas anunciada pelo presidente Donald Trump impulsionou os mercados globais nesta quarta-feira (9), após a Casa Branca revelar conversas com dezenas de países sobre possíveis acordos de isenção tarifária. No entanto, um nome chamou atenção pela ausência: China.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Enquanto aliados receberam uma trégua de 90 dias, Pequim foi tratada de forma oposta. Trump aumentou as tarifas sobre todos os produtos chineses em 145%, acirrando ainda mais a tensão comercial entre as duas maiores economias do planeta. Em retaliação, o regime de Xi Jinping respondeu com tarifas de 84% e restrições à exportação de filmes dos EUA, mirando setores estratégicos.

O governo Trump deixou claro: os Estados Unidos não farão o primeiro movimento. “Xi tem que ligar”, disseram dois altos funcionários da Casa Branca à CNN. A equipe de Trump afirma ter comunicado essa exigência ao regime chinês por cerca de dois meses. A resposta de Pequim foi o silêncio.

O impasse expõe o jogo de poder entre dois líderes que se recusam a recuar. Para Trump, “a China quer fazer um acordo. Eles simplesmente não sabem como fazer isso. São pessoas orgulhosas.” A fala, em evento na Casa Branca, escancara a percepção do republicano de que o Partido Comunista está encurralado.

Fontes próximas às tratativas revelam que os canais de alto nível estão congelados, enquanto as tentativas chinesas de usar intermediários como o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, foram ignoradas por Washington. “Wang não tem acesso ao círculo íntimo de Xi e não é confiável”, justificaram os americanos.

Pequim, por sua vez, insiste que “a porta para as negociações está aberta, mas o diálogo deve ser baseado no respeito mútuo e igualdade”, segundo porta-voz do Ministério do Comércio da China. A mensagem é clara: não haverá submissão.

O clima de guerra econômica se agrava. Autoridades dos EUA admitem que a falta de um canal direto com Xi inviabiliza qualquer progresso. Nos bastidores, os chineses já cogitaram medidas drásticas, como cortar exportações de minerais raros e realocar compras agrícolas para o Brasil — um movimento que remete à primeira guerra comercial de Trump.

“O quão longe os países vão com armas não tarifárias pode definir o quão perigoso será esse conflito”, alertou uma fonte próxima às discussões. Já se fala em “destruição mútua assegurada”.

A leitura em Washington é de que o Partido Comunista chinês teme colocar Xi em uma emboscada, como teria ocorrido com Zelensky na Casa Branca. “Eles querem que o terreno esteja pronto antes de expor Xi”, disse Danny Russel, ex-secretário de Estado.

Peter Navarro, ex-assessor de Trump, aposta que Pequim não tem fôlego para sustentar uma escalada. Mas fontes com trânsito nos dois governos discordam: “Essa será uma destruição mutuamente garantida.”

Enquanto isso, Trump aposta em reforçar alianças com Japão, Coreia do Sul e Vietnã para isolar ainda mais a China — estratégia que remonta aos tempos da doutrina Reagan, com um claro recado: os Estados Unidos não vão se curvar.

A guerra comercial pode estar apenas começando — e com ela, um novo capítulo de tensão geopolítica em pleno ano eleitoral.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade