O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou ontem (20) relatório que denuncia ações do regime comunista cubano para ampliar sua influência política e ideológica no Hemisfério Ocidental. O documento afirma que Cuba mantém uma estrutura de espionagem voltada a penetrar e enfraquecer interesses norte-americanos.
Intitulado “Cuba: A Capital do Comunismo no Século XXI”, o relatório tem 100 páginas e revisa a trajetória do regime cubano desde a revolução liderada por Fidel Castro, em 1959. Segundo o documento, a crise econômica enfrentada pela ilha não impede a atuação de redes de inteligência e influência política.
O texto afirma que Cuba teve papel central em movimentos de extrema esquerda na região durante quase sete décadas, com atuação baseada na exportação de ideologias marxistas, apoio a guerrilhas e operações de influência.
O Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, acusa Havana de tentar “minar, degradar e desestabilizar os EUA” por meio de espionagem, atuação militar, estudantes, intelectuais e organizações não governamentais ligadas ao que o governo americano classifica como “terrorismo de esquerda”.
Segundo o relatório, o regime cubano teria “treinado terroristas, dado refúgio a fugitivos e se infiltrado no governo dos EUA”. O documento afirma ainda que essa estratégia teria alcançado um nível de influência maior do que os próprios fundadores do movimento imaginavam.
“Os cubanos aperfeiçoaram um novo modelo para uma longa guerra de desgaste, organizada em torno de espionagem, infiltração, sabotagem, redes de aliados e uma infraestrutura revolucionária projetada para virar os EUA contra si mesmos”, diz o documento.
O relatório também aponta que Cuba abriga “um número crescente de instalações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras”, classificadas como uma “ameaça singular à segurança nacional dos EUA”. Havana nega acusações de que mantenha estruturas militares ou de inteligência de países como China e Rússia em seu território.
A divulgação ocorre após Marco Rubio liderar, na semana passada, uma cúpula ministerial em Washington voltada ao combate ao que ele descreve como avanço do terrorismo de extrema esquerda no mundo, com participação da ditadura cubana.
O documento também coloca Cuba em uma aliança antiamericana ao lado de Rússia, China e Irã. O texto relaciona a influência cubana a episódios como os protestos após a morte de George Floyd, o crescimento do grupo Antifa e manifestações em universidades americanas.
A administração de Donald Trump ampliou a pressão contra Havana. Em maio, o presidente norte-americano assinou uma ordem executiva que aumentou sanções e classificou Cuba como uma ameaça à segurança nacional. Trump também afirmou que a ilha poderia ser o próximo regime, depois da Venezuela, a sofrer pressão dos Estados Unidos.
O relatório cita ainda contatos entre representantes cubanos e grupos ativistas radicais nos EUA, como Code Pink, People’s Forum, National Network on Cuba e Democratic Socialists of America.
O documento menciona a viagem da “flotilha Nossa América” a Cuba, realizada em março, organizada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos e pela agência Amistur. O ex-espião cubano Fernando González Llort, que cumpriu 15 anos de prisão nos EUA, preside o instituto.
No mês passado, o Departamento de Estado aplicou sanções contra as duas entidades. O governo americano também cancelou o status legal de Carlos Antonio Lloga Dominguez, ex-oficial detido em Nova York em 26 de junho.
O relatório revela ainda casos históricos de infiltração cubana em órgãos do governo americano. Entre os citados estão o ex-embaixador Victor Manuel Rocha, a analista Ana Belén Montes e o ex-analista Walter Kendall Myers.
Segundo o Departamento de Estado, os serviços de inteligência cubanos recrutam cidadãos americanos por afinidade ideológica antes de direcioná-los para posições em governos, universidades e instituições da sociedade civil, onde poderiam ter acesso a informações confidenciais.