Trem da alegria do Bessias: AGU pode incorporar 8,5 mil procuradores federais e do BC - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Trem da alegria do Bessias: AGU pode incorporar 8,5 mil procuradores federais e do BC

O advogado geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, esteve nesta terça (2), no gabinete do senador Mecias de Jesús, do Republicanos de Roraima.
Foto: Reprodução

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Por Claudio Dantas

Enquanto o governo Lula promove sob pressão um corte bilionário no orçamento federal, dentro da Advocacia-Geral da União de Jorge Messias está sendo engatado um verdadeiro trem da alegria, que aumentará o número de integrantes do órgão em pelo menos 8.500 servidores, ou seja, um incremento de 126%.

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Um projeto de lei em preparação na AGU prevê a incorporação como membros do órgão dos procuradores federais e do Banco Central, que, atualmente, integram a Procuradoria-Geral Federal e o BC e são apenas vinculados.

A lei que criou a AGU previu, como membros, apenas os Procuradores da Fazenda Nacional (total aproximado de 2.694, incluindo aposentados e pensionistas) e os Advogados da União (4.069 aproximadamente, com aposentados e pensionistas), totalizando cerca de 6.763 servidores que representam juridicamente a União.

Ou seja, os membros originários são em número inferior até aos servidores que podem vir a ingressar na estrutura da AGU. Os procuradores da Fazenda Nacional e advogados da União reclamam nos bastidores, classificando a medida como inoportuna, inconstitucional e atécnica.

Os defensores do projeto alegam que os procuradores federais e do Banco Central já tem remuneração igual à das demais carreiras e que não haveria aumento de despesa.

Porém, fontes internas do órgão dão conta de que não há como evitar o impacto orçamentário-financeiro da medida, mas que o seu valor é desconhecido e não foi apurado até o momento, o que está causando estranhamento, já que o corte de gastos é hoje a tônica na Esplanada.

Além disto, afirmam que os números do trem da alegria podem ser ainda maiores, pois há milhares procuradores autárquicos e fundacionais e assistentes jurídicos dos entes descentralizados, hoje procuradores federais, que ficaram em quadros em extinção sob gestão do MPDG quando da LC 73 e que podem migrar para a AGU, pois há pleito destes servidores, que buscam sua inclusão na proposta em estudo na AGU.

Quem é contra a proposta da AGU, além do aumento da despesa da União, levanta outros aspectos relacionados à estrutura e imagem institucional do órgão.

A principal crítica ao projeto é que esta pretensão dos procuradores federais e do Bacen existe desde a Constituinte e foi rechaçada tanto naquele momento como na votação da Lei Complementar 73/93; e, em outros momentos, pelo fundamento de que o artigo 131 da Constituição Federal trata da representação da União pela AGU e que os Procuradores Federais e do Bacen representam autarquias, fundações e agências, sendo meramente vinculados à AGU, que os supervisiona.

Além disto, representantes das carreiras de procurador da Fazenda Nacional e advogado da União alertam para o desequilíbrio de forças no âmbito da AGU, já que os membros natos serão minoria diante dos procuradores federais e do Bacen, com prejuízo na tomada de decisões institucionais e estratégicas.

Alegam ainda que a atuação da AGU caracteriza-se pelo “perfil técnico e de excelência” e que conseguem tal resultado pela tomada de decisões institucionais voltadas, exclusivamente, “ao interesse público de bem representar a União”.

Reservadamente, temem que isto seja impactado com o ingresso de servidores que representam entes que, tradicionalmente, sofrem loteamento político e lembram o recente caso do procurador do INSS suspeito de participação no golpe contra os aposentados.

Outro ponto que vem sendo questionado pelos membros da AGU é que a carreira de procurador federal foi criada pela Medida Provisória 2.048-26/2000, hoje MP 2.229-48/2001, que nunca foi convertida em lei. Entendem que esses servidores estão se aproveitando para plantar a alteração da LC 73/93 e, por via transversa, consolidar a carreira de procurador federal e garantir sua inclusão na AGU, que sempre foi seu objetivo.

HISTÓRICO DE TENTATIVAS

À reportagem, servidores veteranos da AGU disseram que o pleito dos atuais procuradores federais vem desde a época da Constituinte, quando se dividiam entre procuradores autárquicos e fundacionais e assistentes jurídicos dos entes da administração indireta.

Naquela época, afirmam, sua inclusão na AGU foi rejeitada, mas eles voltaram à carga na votação da LC 73/93, quando a expressão trem da alegria foi cunhada pelo então Deputado José Serra, inclusive porque muitos desses servidores não haviam ingressado por concurso público.

Alertam que, à época da LC73/93, o Partido dos Trabalhadores, base do atual governo, posicionou-se, expressamente, contra o trem da alegria, especialmente com o suporte do Deputado Hélio Bicudo.

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