Levantamento aponta que 87% dos salários superam o teto constitucional de R$ 46,3 mil
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) comprometeu 84% do orçamento destinado a despesas de pessoal nos primeiros oito meses de 2025. O dado é de levantamento do grupo Justa, que monitora a gestão do Judiciário.
Entre janeiro e agosto, 87% dos salários líquidos pagos a juízes e servidores ultrapassaram o teto constitucional de R$ 46.366,19.
A pesquisa mostra que, em maio, junho e julho, a folha do tribunal teve aumento de 48% em relação aos mesmos meses de 2024 e 2023. O salto se deve, principalmente, ao crescimento de 105% na rubrica de “vantagens pessoais”, que inclui quinquênios e abono de permanência para magistrados que permanecem em atividade após adquirirem direito à aposentadoria.
A diretora do Justa, Luciana Zaffalon, afirmou para a Folha que há expectativa de o tribunal recorrer a suplementações orçamentárias para quitar a folha até o fim do ano.
Em nota, o TJSP declarou que os pagamentos englobam diferenças salariais e valores retroativos, como férias não pagas e plantões trabalhados. O órgão disse que todos os dados estão disponíveis no Portal da Transparência e que os desembolsos têm respaldo em decisões do STF e do Conselho Nacional de Justiça.
Levantamento do jornal com base nos contracheques de cerca de 2.600 magistrados aponta que, de janeiro a março deste ano, juízes e desembargadores receberam mais de R$ 689,4 milhões em adicionais além dos salários. No mesmo período de 2024, os valores chegaram a R$ 164 milhões, já corrigidos pela inflação.
