O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou hoje (16) que não há justificativa para a tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida tem motivação política e representa uma “tentativa de interferência dos EUA no Judiciário brasileiro”.
Durante coletiva no Palácio do Itamaraty, o chanceler declarou que o governo brasileiro mantém negociações com Washington desde antes do primeiro anúncio de tarifas, em abril de 2025.
“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Mantivemos mais de 30 reuniões em nível presidencial, ministerial e técnico. Somente com [Marco] Rubio e [Jamieson] Greer foram 11 contatos. O Brasil negocia desde antes de 2025, desde o tarifaço original”, afirmou.
Vieira disse que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre autoridades dos dois países. Segundo ele, houve 11 contatos diretos com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O ministro afirmou ainda que o presidente Lula buscou diálogo desde o início das negociações e manifestou disposição para discutir os temas levantados pelos Estados Unidos.
Na coletiva, Vieira também criticou declarações de Marco Rubio, afirmando que o secretário de Estado atacou “de forma grosseira” o chefe de Estado de um país considerado amigo pelo Brasil.
Os Estados Unidos oficializaram na quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida entra em vigor em 22 de julho e foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo americano, a investigação concluiu que determinadas políticas e práticas brasileiras seriam “injustas”, “irracionais” ou “discriminatórias” e restringiriam o comércio dos Estados Unidos. O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) cita temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Em resposta, o governo brasileiro sustenta que as acusações não possuem fundamento econômico e afirma que continuará buscando uma solução por meio das negociações diplomáticas.