Itamaraty fala em interferência dos EUA no Judiciário após tarifa
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Política

Itamaraty fala em interferência dos EUA no Judiciário após tarifa

Mauro Vieira afirma que sobretaxa americana tem motivação política e diz que Brasil mantém diálogo com Washington

A manutenção do porcentual contraria a expectativa do governo brasileiro, especialmente um dia após a reunião entre Vieira e Rúbio
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou hoje (16) que não há justificativa para a tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida tem motivação política e representa uma “tentativa de interferência dos EUA no Judiciário brasileiro”.

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Durante coletiva no Palácio do Itamaraty, o chanceler declarou que o governo brasileiro mantém negociações com Washington desde antes do primeiro anúncio de tarifas, em abril de 2025.

“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Mantivemos mais de 30 reuniões em nível presidencial, ministerial e técnico. Somente com [Marco] Rubio e [Jamieson] Greer foram 11 contatos. O Brasil negocia desde antes de 2025, desde o tarifaço original”, afirmou.

Vieira disse que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre autoridades dos dois países. Segundo ele, houve 11 contatos diretos com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O ministro afirmou ainda que o presidente Lula buscou diálogo desde o início das negociações e manifestou disposição para discutir os temas levantados pelos Estados Unidos.

Na coletiva, Vieira também criticou declarações de Marco Rubio, afirmando que o secretário de Estado atacou “de forma grosseira” o chefe de Estado de um país considerado amigo pelo Brasil.

Os Estados Unidos oficializaram na quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida entra em vigor em 22 de julho e foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o governo americano, a investigação concluiu que determinadas políticas e práticas brasileiras seriam “injustas”, “irracionais” ou “discriminatórias” e restringiriam o comércio dos Estados Unidos. O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) cita temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Em resposta, o governo brasileiro sustenta que as acusações não possuem fundamento econômico e afirma que continuará buscando uma solução por meio das negociações diplomáticas.

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