Subprocurador cobra apuração de salários pagos a contratadas que atuavam fora da Câmara
O Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) pediu nesta quarta-feira (16) a abertura de investigação sobre três funcionárias fantasmas contratadas pelo gabinete do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado classificou o caso como “grave descaso com a gestão dos recursos públicos”.
Segundo representação apresentada ao tribunal, a contratação de funcionárias sem atuação efetiva e o favorecimento de parentes de servidores ferem os princípios constitucionais da moralidade, eficiência e economicidade.
Uma reportagem revelou que Gabriela Pagidis, fisioterapeuta com salário de R$ 11,4 mil, atendia em clínicas privadas durante o expediente da Câmara. Monique Agra acumulava o cargo com função na Prefeitura de João Pessoa. Louise Lacerda cursava medicina em tempo integral no Rio Grande do Norte, embora estivesse lotada na Paraíba. As três somaram R$ 112 mil em salários, auxílios e gratificações em 2025.
Após a publicação das informações, Motta demitiu Gabriela e Monique. Em nota, afirmou que “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”.
O subprocurador solicita que o TCU investigue as possíveis irregularidades e, se confirmadas, instaure tomada de contas especial para apurar o prejuízo e promover a devolução dos valores. Furtado também pede que as envolvidas sejam inabilitadas para cargos em comissão e que a responsabilidade solidária de Motta seja reconhecida.
Além disso, Furtado recomenda o envio do caso ao Ministério Público Federal para possível apuração de improbidade administrativa e responsabilidades civis e criminais. Rocha Furtado também propõe que a Câmara seja orientada a reforçar os mecanismos de controle interno.
