Um levantamento feito por advogados da Câmara dos Deputados e divulgado pela Gazeta do Povo mostra que 83% dos inquéritos e processos atualmente em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra parlamentares da Casa têm como alvo nomes alinhados à direita.
Dos 61 processos mapeados, 51 envolvem deputados de direita. Apenas sete têm parlamentares de esquerda como alvos, enquanto três atingem nomes considerados de centro. A maioria das investigações — 46 — está ligada a publicações nas redes sociais, sendo 40 contra parlamentares conservadores.
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, lidera em número de investigações: 64% das ações envolvem deputados da legenda. Já o PT responde por apenas um processo.
Entre os nove deputados que atualmente enfrentam ações penais, oito são opositores declarados do governo Lula. Os dados excluem processos sigilosos, como o inquérito das fake news, conduzido diretamente pelo STF, também centrado na atuação de parlamentares da oposição.
O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) atribui o cenário a um movimento de intimidação por parte do Judiciário. “Com o avanço da direita no Senado, cresce a possibilidade de pedidos de impeachment contra ministros do STF. Processar e expor parlamentares é a forma de enfraquecer a oposição”, afirma.
O relatório foi elaborado com apoio dos gabinetes de Gayer e Marcel van Hattem (Novo-RS).
Eduardo Bolsonaro é o principal alvo
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) lidera a lista de parlamentares investigados. Ele responde a uma ação penal por publicação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e é investigado em outro inquérito conduzido por Alexandre de Moraes, por suposta “incitação a retaliações” contra o Brasil nos EUA. Há ainda três queixas-crime pendentes e outras duas investigações em andamento.
Outros nomes da oposição com múltiplos processos incluem Carla Zambelli, Gustavo Gayer, Ricardo Salles, General Pazuello e João Carlos Bacelar, todos do PL. Fora do partido, Otoni de Paula (MDB-RJ) responde a processo por críticas a Moraes, e Luiz Lima (Novo-RJ) também é alvo de investigação.
Na esquerda, Janones é exceção
Do lado da esquerda, o único deputado com mais de um processo é André Janones (Avante-MG), que responde a uma ação por prática de “rachadinha” e outra por injúrias contra Bolsonaro. Janones fez acordo com a PGR para encerrar o caso do crime comprometendo-se a devolver R$ 131,5 mil.
Outros nomes da esquerda investigados incluem Gleisi Hoffmann (PT), Jandira Feghali (PCdoB), Emanuel Pinheiro Neto (MDB) e Paulinho da Força (Solidariedade).
Para Gayer, o foco do STF em discursos e postagens, enquanto denúncias de corrupção são arquivadas, indica mudança de postura. “Perseguem deputados por se expressarem. É o policiamento do pensamento em plena democracia”, afirmou.
