Defesa afirma que procura Cortes Internacionais para denunciar sentença
O Supremo Tribunal Federal (STF) sentenciou o policial militar da reserva de Rondônia, William Ferreira da Silva, conhecido como “Homem do Tempo”, a 14 anos de prisão, por participar atos do 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Além da pena, ele foiterá que pagar, de forma solidária R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
Conforme a decisão judicial, William foi diretamente responsável pela invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso e da própria sede do STF. O réu transmitiu ao vivo, via Facebook, a depredação dos prédios e obras de arte. Ex-candidato a deputado estadual, ele havia sido detido durante a 4ª fase da Operação Lesa Pátria.
O STF apontou que o policial atuou como líder de uma organização criminosa composta por indivíduos que queriam aplicar um suposto golpe de Estados após o resultado das eleições de 2022.
Para embasar a decisão, o STF utilizou, além das imagens da transmissão ao vivo, a geolocalização do celular de William, que demonstrou sua presença na Praça dos Três Poderes entre os dias 3 e 10 de janeiro. O tribunal também diz que comprovou sua participação em grupos com mensagens de cunho “antidemocrático”.
Em depoimento anterior à Polícia Federal, ele havia alegado estar em Brasília para fazer a cobertura jornalística, versão que foi descartada pela Corte.
Em nota, a defesa do jornalista classificou a condenação imposta como “exagerada, desproporcional e desumana”. Argumentam que a sentença de 14 anos em regime fechado, fixada sem considerar sua “frágil condição de saúde” e o tratamento ativo contra um câncer. “Encarcerar um homem idoso, doente e debilitado em um sistema penitenciário sem estrutura médica adequada é assumir, com plena consciência, o risco real de sua morte”.
A nota destaca que William “sempre atuou pacificamente no exercício da comunicação, sem jamais ter se envolvido com qualquer ato de violência”. A defesa reitera que os laudos médicos recentes atestam seu tratamento oncológico e procedimentos agendados até o final de agosto.
A defesa afirmou que está adotando “todas as medidas judiciais cabíveis, inclusive junto às Cortes Internacionais de Direitos Humanos, para impedir que o Brasil cometa mais uma tragédia institucional irreversível”.
