A Polícia Federal (PF) informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ter identificado que o perito criminal da corporação, João Cláudio Nabas, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações aos dois ministros encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação é do jornal O Estadão.
Ainda de acordo com a corporação, Nabas teria sugeriu a colegas da própria PF o vazamento do material sobre os magistrados.
As informações fazem parte da investigação aberta pela PF por ordem de Mendonça, e obtida pelo jornal, para apurar vazamentos do celular de Vorcaro e que resultaram no cumprimento de busca e apreensão contra Nabas em maio, por suspeitas de “violação do sigilo funcional”. Ele foi afastado de suas funções após a operação.
Nabas foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado por ser especializado no combate a crimes financeiros. A investigação da PF sobre o vazamento afirma que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, 3 dias depois, produziu os arquivos sobre os magistrados.
Essas informações foram obtidas pela por meio dos registros do usuário de Nabas no sistema da própria corporação, de acordo com o jornal.
Os documentos compilavam diálogos e menções aos ministros do Supremo presentes no celular do ex-banqueiro. Um deles incluía trechos do contrato de R$ 129 milhões do Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre.
De acordo com o jornal, depoimentos de agentes da PF que faziam parte da investigação apontam que Nabas, após produzir os documentos, sugeriu à equipe o vazamento à imprensa. Eles não concordaram com a sugestão, mas dias depois os detalhes do contrato da esposa de Moraes foram divulgados pela imprensa.
No pedido de busca e apreensão contra Nabas, a PF sustenta que o perito “de fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”.
A Polícia Federal apontou que “de forma clara, ao se analisar os fatos acima declinados e a linha temporal dos acontecimentos, que João Nabas, tão logo acessou os dados extraídos do aparelho telefônico de Daniel Vorcaro, sem ordem ou consentimento das autoridades policiais que conduzem a operação, direcionou seus esforços em sentido contrário ao escopo precípuo das investigações, buscando, no material objeto de análise, supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.
Um dos policiais da equipe relatou à corporação que Nabas realizou a análise dos dados de forma remota a partir de Vilhena (RO), onde é lotado, e enviou, em 5 de dezembro de 2025, um arquivo em PDF sem identificação contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
Na sequência, de acordo com o relato, Nabas enviou um áudio sugerindo a divulgação do conteúdo do documento à imprensa.
A equipe respondeu que não iria fazer contato com jornalistas. Ainda assim, Nabas teria insistido para que a imprensa fosse procurada. Diante da nova recusa, o perito enviou aos colegas, no mesmo dia, o segundo arquivo em PDF, também sem cabeçalho ou identificação, intitulado “Toffoli e esposa.pdf”.
Logo após o vazamento, Nabas foi retirado do time de investigadores da Compliance Zero e teve seus acessos aos materiais e dados das apreensões encerrados.
