O que o caso Daniel Alves ensina sobre a ação contra Jair Bolsonaro - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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O que o caso Daniel Alves ensina sobre a ação contra Jair Bolsonaro

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Por Claudio Dantas

Daniel Alves foi massacrado pela mídia internacional e nacional, até ser absolvido por inconsistências probatórias. Sim, ele teve relações sexuais com a jovem que topou subir na área VIP da boate que frequentava e que depois topou ir com ele à suíte. Essa jovem, ao deixar o local, disse que foi estuprada. A mídia comprou a versão, o Ministério Público oficializou a versão e a Justiça de primeira instância o condenou com base na versão.

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Sim, Daniel Alves mudou a sua própria versão várias vezes, pois sabia que a infidelidade não seria perdoada pela esposa. Infidelidade não é crime. O crime do meia foi ser homem, branco, famoso e cheio da grana. Tem mulher que prefere engravidar de jogador e depois viver de pensão; outras preferem simular denúncia sexual para arrancar-lhes as calças – metaforicamente falando. Neste mundo, tem de tudo.

Para azar da moça e sorte de Daniel, a Polícia espanhola é boa de investigação e ele teve a chance de uma segunda análise do caso. Foi no recurso ao Tribunal que a defesa conseguiu ser ouvida sobre as inconsistências da narrativa, a partir da análise objetiva das evidências.

Por exemplo:

Enquanto a moça negava veementemente que houve sexo oral, exames detectaram DNA (esmegma) na sua boca. Uma lesão no joelho que teria sido causada ao ser atirada ao chão não pareceu compatível com exame técnico. Descreveu que foi imobilizada durante o coito, mas acabou desmentida por impressões digitais obtidas pela perícia no banheiro. As impressões sugeriram que o jogador estava sentado no vaso sanitário, enquanto a vítima se posicionou por cima, com as mãos apoiadas na caixa da descarga, indicando uma relação consensual. Por fim, a Justiça de primeira instância tomou credibilidade por fiabilidade, acolheu a versão da jovem e fechou os olhos para as contradições. A mídia sensacionalista fez o resto.

O caso de Daniel Alves deve servir de paradigma, não só para denúncias de estupro, mas para todo e qualquer processo judicial. Deve servir de exemplo para a mídia, que precisa ser cautelosa antes de destruir a reputação de alguém. Deve servir de exemplo para o Ministério Público, que precisa ser muito mais responsável ao acusar quem quer que seja. Deve servir ainda mais à Justiça, que não pode embarcar em narrativas midiáticas, nem desprezar os fatos, muito menos restringir o direito de defesa.

No Brasil, é justamente isso o que ocorre no caso de Jair Bolsonaro, acusado de tentar violentar a democracia.

Não importa se você gosta ou não dele, se vota em Lula ou em Simone Tebet. O que vale aqui não é o que a jornalista da TV paraestatal acha do ex-presidente, nem o que a Polícia Federal acredita ser a ‘minuta de um decreto’ para aplicação do artigo 142, mas se a PGR consegue provar sua acusação com evidências e não com 9 versões diferentes do depoimento de um delator coagido, nem com inferências sobre mensagens trocadas entre assessores e imagens editadas de uma turba violenta.

Justiça não pode ser linchamento.

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