O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar a antiga cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) por suposta omissão nos atos de 8 de Janeiro. Para advogados e ministros, o caso pode antecipar os rumos do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de acusações semelhantes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação de sete réus, entre eles dois ex-comandantes-gerais da PM-DF e outros cinco oficiais. Todos ocupavam cargos de chefia no dia da invasão às sedes dos Três Poderes. A denúncia aponta falhas no planejamento da segurança e troca de mensagens entre os policiais com teor simpático às manifestações.
O relator, Alexandre de Moraes, deve liberar o caso para julgamento na Primeira Turma do STF — a mesma que julgará Bolsonaro. Os crimes atribuídos aos militares incluem golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Entre os réus estão Fábio Augusto Vieira, que comandava a corporação na data dos atos e Klepter Rosa Gonçalves, então vice e seu substituto após o afastamento. Também serão julgados Jorge Naime Barreto, chefe de operações, Paulo José Ferreira de Souza, subchefe do setor, Marcelo Casimiro, comandante da região da Esplanada, além do major Flávio Alencar e do tenente Rafael Martins.
A PGR afirma que os réus omitiram deliberadamente o uso do efetivo necessário para conter os atos. A acusação também cita mensagens em que os investigados falam em fraudes nas urnas e intervenção militar. As defesas alegam que os trechos foram tirados de contexto e pedem absolvição.
Seis dos sete acusados apresentaram alegações finais. Jorge Naime solicitou mais prazo para analisar provas. Nos documentos, os advogados apontam falhas de outros oficiais e questionam decisões do comando à época, como manter policiais de folga apenas de sobreaviso, e não em prontidão. As defesas não comentaram o caso.
