STF afasta prefeitos na Bahia em nova fase da Overclean - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

STF afasta prefeitos na Bahia em nova fase da Overclean

Metanol PF e Receita cumprem mandados em Minas e São Paulo contra esquema de tráfico internacional de drogas e descaminho
Foto: Divulgação/Polícia Federal

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Por Redação

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (27) a quarta fase da Operação Overclean, que investiga desvios de recursos públicos ligados a emendas parlamentares na Bahia. Por ordem do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, três prefeitos foram afastados dos cargos. Também foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão.

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A operação mira um grupo suspeito de liberar emendas para os municípios de Boquira, Ibipitanga e Paratinga, entre 2021 e 2024, mediante pagamento de vantagens indevidas e manipulação de licitações. O núcleo tem ligação com o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), que, embora não tenha sido alvo das buscas, é formalmente investigado pela PF.

Os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, organização criminosa, peculato, fraudes em licitação e lavagem de dinheiro. As diligências ocorreram em Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga.

A primeira fase da Overclean foi deflagrada em dezembro de 2024, com participação da PF, MPF, Receita Federal, CGU e apoio da Homeland Security Investigations (HSI), dos Estados Unidos. O principal alvo foi o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, ligado ao setor de coleta e com atuação no União Brasil. Moura foi preso e é apontado como elo político do esquema.

Na ocasião, foi encontrada em seu cofre uma escritura de imóvel que envolvia o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA). O parlamentar foi citado na investigação, mas nega envolvimento.

A PF identificou ao menos R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos e mais de 100 pessoas ligadas ao esquema. Na primeira fase, também foram alvos o vereador Francisquinho Nascimento (União), primo de Elmar, e o ex-chefe do Dnocs na Bahia, Lucas Lobão. Empresários com contratos ativos em prefeituras da região foram presos.

Durante os mandados, mais de R$ 1 milhão em espécie foi apreendido. Parte do dinheiro foi jogada pela janela por Francisquinho, mas recuperada pelos agentes. Outra planilha com mais de R$ 200 milhões em contratos, incluindo valores no Rio de Janeiro e Amapá, também foi localizada.

Segundo a CGU, apenas em 2024 o grupo firmou R$ 825 milhões em contratos públicos, com indícios de superfaturamento de pelo menos R$ 8 milhões em obras do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs).

Todos os investigados, incluindo Elmar Nascimento, negam irregularidades. A prefeitura de Campo Formoso declarou que “conduz suas contratações dentro das melhores práticas”.

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