O grupo de senadores brasileiros com viagem marcada para Washington planeja uma mensagem contundente às autoridades americanas: se os Estados Unidos se fecharem para as exportações brasileiras, o Brasil será “jogado no colo da China”. A informação foi apurada pela CNN.
Os senadores entendem que a relação com os chineses é um ponto sensível para a percepção de Donald Trump e seu governo sobre o Brasil. Eles pretendem deixar claro que a estratégia tarifária do republicano está, de fato, empurrando o mercado brasileiro para o principal concorrente dos EUA.
A mesma mensagem foi transmitida pelos senadores ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma reunião preparatória em Brasília nesta quarta-feira (22).
A agenda dos senadores em Washington está, por enquanto, limitada ao Capitólio. Há incerteza sobre a confirmação de encontros com autoridades capazes de influenciar a decisão de Trump, e a viagem corre o risco de ficar esvaziada devido à decisão dos líderes republicanos de antecipar o recesso de verão, evitando votos sobre o caso Epstein.
No encontro em Brasília, os senadores questionaram os ministros sobre o que deveriam dizer se forem perguntados sobre a relação com o BRICS. A resposta ministerial foi vaga, buscando reduzir a importância que o presidente Lula tem dado ao bloco em seus discursos recentes, com um ministro teria dito: “Não é bem assim”.
Nos EUA, empresários dos setores que serão prejudicados pelas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, lobistas e consultores têm procurado intensamente os senadores brasileiros. O objetivo é unir forças para convencer Trump a mudar de ideia antes de 1º de agosto.
Apesar do esforço, a expectativa de sucesso é baixa. Um interlocutor dos senadores afirmou que, mesmo com toda a articulação, eles não têm mandato para decidir pelo Brasil. Se conseguirem algo, o governo tentará se associar à ação. Caso contrário, correm o risco de serem vistos como inaptos ou sem poder de decisão pelo Brasil.
Fazem parte da delegação os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores, Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE), Fernando Farias (MDB-AL) e Carlos Viana (Podemos-MG).
