Senado argentino aprova redução da maioridade penal para 14 anos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Senado argentino aprova redução da maioridade penal para 14 anos

Proposta apoiada por Javier Milei segue para sanção e prevê regime diferenciado para adolescentes condenados

A mudança integra a reformulação do Regime Penal Juvenil defendida pelo governo.. Fotos: Charly Diaz Azcue / Comunicación Senado.

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Por Redação

O Senado da Argentina aprovou nesta sexta-feira (27) o projeto que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos. A proposta recebeu 44 votos favoráveis, 27 contrários e uma abstenção, consolidando uma vitória política para o presidente Javier Milei.

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O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados e agora segue para sanção presidencial. A mudança integra a reformulação do Regime Penal Juvenil defendida pelo governo.

Inicialmente, Milei defendia que a responsabilização criminal começasse aos 13 anos. Diante da resistência de parte do Congresso, o governo negociou e fixou a idade mínima em 14 anos para garantir a aprovação.

Como funcionará o novo regime

Com a nova lei, adolescentes a partir de 14 anos poderão responder criminalmente e receber penas que incluem privação de liberdade. O cumprimento das medidas deverá ocorrer em unidades separadas das destinadas a adultos.

Segundo informações divulgadas pela Casa Rosada, a aplicação de regime fechado ficará restrita a crimes graves, como homicídio. Para penas de até três anos, o texto prevê alternativas à prisão, como:

  • restrição de contato com vítimas;
  • proibição de frequentar determinados locais;
  • impedimento de deixar o país;
  • prestação de serviços à comunidade;
  • monitoramento eletrônico;
  • reparação de danos.

A proposta também estabelece medidas complementares voltadas à reinserção social, incluindo acompanhamento por equipe multidisciplinar, participação em programas educacionais obrigatórios, capacitação profissional e formação cidadã.

Contexto

O debate sobre o tema ganhou força após o assassinato de um adolescente na província de Santa Fé, crime atribuído a outros menores de idade. O caso gerou ampla repercussão nacional e levou o Executivo a priorizar a tramitação da proposta no Congresso.

Pouco antes da votação no Senado, o partido governista “A Liberdade Avança” divulgou nas redes sociais um vídeo defendendo a reforma como instrumento para reforçar a segurança pública.

Após a aprovação, o governo argentino divulgou nota afirmando que a nova legislação representa a atualização de um marco legal considerado defasado há décadas. Em publicação nas redes sociais, Milei comemorou a decisão com a frase: “Quem faz, paga”.

Debate semelhante no Brasil

No Brasil, a discussão sobre redução da maioridade penal também voltou à pauta. A Câmara dos Deputados analisa uma proposta inserida na chamada PEC da Segurança que prevê diminuir a idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos ou cometidos com violência ou grave ameaça.

O texto brasileiro estabelece que adolescentes entre 16 e 18 anos cumpririam pena em estabelecimentos separados dos adultos e condiciona a entrada em vigor da mudança à realização de referendo nas eleições municipais de 2028. O governo federal, no entanto, já manifestou posição contrária à proposta.

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