Presidente da Conafer é preso na CPMI do INSS e solto após pagar fiança
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Presidente da Conafer é preso na CPMI do INSS e solto após pagar fiança

Presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes prestou depoimento à CPMI e foi preso — Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes prestou depoimento à CPMI e foi preso — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Senador Carlos Viana, que preside o colegiado, afirmou que o depoente mentiu durante a oitiva

O empresário Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foi preso na madrugada de hoje (30) pela CPMI do INSS. A decisão partiu do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que afirmou que Lopes mentiu durante o depoimento. A Conafer é investigada pela Polícia Federal por suspeita de operar descontos ilegais em aposentadorias.

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Segundo Viana, o depoente omitiu informações sobre depósitos em contas próprias e de terceiros.

“Ele mentiu deliberadamente à CPMI desde o início, escondeu informações, foi perguntado sobre depósitos bancários na própria conta, na conta de terceiros, foi colocado diante do organograma que mostrava que ele desviava dinheiro dos familiares, do cunhado, da irmã, de pessoas ligadas, e tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta e não é”, afirmou.

Presidente da Conafer na CPMI do INSS. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Presidente da Conafer na CPMI do INSS. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O empresário foi ouvido como testemunha, o que o obrigava a dizer a verdade. A prisão foi decretada ao final da sessão e Lopes permaneceu detido no Senado até pagar fiança, sendo liberado por volta das 4h.

Na semana anterior, outro investigado, Rubens Oliveira da Costa, também foi preso e solto após a CPMI considerar que mentiu em seu depoimento.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusou a Conafer de “meter a mão no bolso de aposentados sem autorização”. Ele questionou Lopes sobre um repasse de R$ 130 milhões a Cícero Marcelino, apontado como braço-direito do empresário. Lopes respondeu que se tratava de “um fornecedor de bens e serviços” que atuava havia 15 anos.

presidente da CPMI - INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG); e o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
presidente da CPMI – INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG); e o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.

Gaspar respondeu: “Eu não posso ser surpreendido porque nós estamos tratando sobre INSS, e 100% daqueles que foram entrevistados disseram que a Conafer estava mentindo na autorização. Setenta e um mil processos judiciais, no Brasil, estão dizendo que a Conafer meteu a mão no bolso sem autorização.”

O relator comparou Lopes a Maurício Camisotti, já preso e investigado como beneficiário de fraudes semelhantes.

“Hoje a gente descobriu outro Maurício Camisotti: se chama Carlos Roberto Ferreira Lopes. Pelas mãos da Conafer, passaram mais de R$ 800 milhões. Aqui nós descobrimos, porque o tempo foi curto, que R$ 140 milhões foram direcionados diretamente para o assessor dele, Cícero Marcelino. Se isso não for lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e formação de organização criminosa, é melhor fechar a CPMI”, disse.

As investigações da CPMI apontam que o faturamento da Conafer subiu de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões no período em que aumentaram os descontos questionados por aposentados. Em 2022, o INSS recebeu ofícios com denúncias sobre as cobranças não autorizadas.

Durante a audiência, Lopes negou irregularidades. “A Conafer restituiu todos os inativos que porventura reclamaram da prestação de serviço”, afirmou.

CPMI investiga adesões de aposentados mortos

Durante a oitiva, o relator questionou o presidente da Conafer sobre registros de adesões feitas em nome de pessoas já falecidas.

Segundo o relator, em 2024 a CGU determinou que a entidade enviasse 100 fichas para análise. Entre elas, estava a de Maria Rodrigues, que havia morrido cinco anos antes, mas constava como tendo assinado. O parlamentar afirmou que situações semelhantes ocorreram em mais de 300 casos, citando também Gilberto, que teria falecido há 20 anos, mas aparecia como aderente.

“É padrão da Conafer ressuscitar mortos para assinatura de descontos associativos?”, questionou o relator.

O presidente da entidade respondeu: “É padrão do INSS ter defunto recebendo benefício? Se o morto tiver recebendo benefício, sim”.

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