A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria neste domingo (29) para manter as prisões preventivas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti. O julgamento, realizado em plenário virtual, encaminha a decisão final, embora o prazo se encerre apenas em 3 de outubro.
O relator, ministro André Mendonça, votou pela continuidade da medida e foi acompanhado pelos ministros Edson Fachin e Nunes Marques, formando a maioria necessária. O ministro Gilmar Mendes se declarou impedido de participar da análise, e o voto do ministro Dias Toffoli ainda é esperado.
Antunes está preso desde 12 de setembro, como alvo principal da Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Ele é apontado como o operador central do desvio de recursos de associações de aposentados, utilizando dezenas de empresas ligadas ao seu nome.
Segundo a PF, pessoas físicas e jurídicas relacionadas a Antunes movimentaram mais de R$ 50 milhões e repassaram valores a servidores da autarquia.
Em depoimento recente à CPMI do INSS no Congresso, Antunes negou qualquer envolvimento em irregularidades. Ele se descreveu como um “empreendedor nato” e classificou sua prisão como “fundamentada em mentiras”.
A defesa da manutenção da prisão preventiva por parte dos investigadores se baseia em fortes indícios de risco de fuga e ocultação de bens. Relatórios anexados ao inquérito citam viagens frequentes para ao exterior e compra de uma casa nos Estados Unidos poucos antes da operação.

Já Maurício Camisotti, é investigado como beneficiário direto das fraudes. A PF o aponta como sócio oculto de entidades ligadas às associações que promoviam os descontos indevidos.
A Polícia Federal sustenta que Camisotti e Antunes tinham um papel essencial no funcionamento do esquema, justificando assim a continuidade da prisão de ambos.
