Operações OMNI e Difusão cumprem 29 mandados em 7 estados e no DF
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (30) as operações OMNI e Difusão para desarticular esquemas de fraudes em contratos da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) e da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina. Duas pessoas foram presas, 29 mandados de busca e apreensão foram cumpridos e a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 66 milhões, além do afastamento de servidores públicos. A ação envolve sete estados e o Distrito Federal e conta com apoio da CGU/PI e do Tribunal de Contas do Estado (TCE/PI).
No núcleo da Operação OMNI, a 3ª Vara Federal do Piauí suspendeu contratos da Sesapi e afastou um servidor suspeito. Os mandados foram cumpridos em Teresina (PI), Timon (MA), Araguaína (TO), Brasília (DF), Goiânia (GO), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). A investigação aponta indícios de conluio e direcionamento em chamamento público para contratar uma Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela gestão de hospitais estaduais.
Foco em diálise e software de saúde
A Operação Difusão apura contratações da Sesapi e da FMS, com ênfase em serviços de hemodiálise e diálise peritoneal à beira leito. Sete mandados de busca foram executados em Teresina (PI), Imperatriz (MA) e Marco (CE), e houve o afastamento cautelar de uma servidora. As apurações tiveram início após denúncias apresentadas à Controladoria Geral da União e ao Ministério Público Federal. Há suspeitas também sobre a gestão do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, e sobre contratos ligados ao fornecimento de software na área da saúde.
Segundo a PF, os investigados podem responder por superfaturamento, lavagem de dinheiro, conflito de interesses e falsidade ideológica. As autoridades apontam que o esquema teria garantido vantagens indevidas a empresas contratadas, com movimentação de valores milionários. As medidas judiciais de busca, prisão e bloqueio patrimonial foram adotadas para interromper o suposto fluxo financeiro e preservar provas.

Em nota, a Sesapi declarou ter tomado conhecimento da operação pela imprensa, disse não ter sido formalmente notificada até o momento e afirmou estar à disposição da PF para prestar esclarecimentos. A pasta informou que sua sede, no Centro Administrativo do Governo do Piauí, foi alvo da ação. A FMS não havia se manifestado publicamente até a última atualização.
A tendência é que a PF aprofunde a análise de contratos envolvendo OSS e serviços de alta complexidade, como diálise, além de levantar o histórico de pagamentos e eventuais sobrepreços. Novas quebras de sigilo, pedidos de cooperação com órgãos de controle e eventuais denúncias à Justiça Federal podem ocorrer à medida que os materiais apreendidos forem periciados.
