PF vê código sobre apartamento de R$ 2,45 mi ligado a Jaques Wagner
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Justiça

PF vê código sobre apartamento de R$ 2,45 mi ligado a Jaques Wagner

Investigadores apontam uso de linguagem cifrada em conversas sobre imóvel no empreendimento Poème Horto, em Salvador

Jaques Wagner falou em 'leviandade' antes de ser alvo da PF no caso Master
Foto: Reprodução/X

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

As investigações da Polícia Federal sobre o caso Banco Master identificaram uma troca de mensagens que, segundo os investigadores, pode ter sido utilizada para ocultar referências a um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões associado ao senador Jaques Wagner (PT-BA).

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O diálogo ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro ligado ao grupo investigado, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”, descrito pela PF como pessoa de confiança do senador e pai de seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins.

Em uma das mensagens analisadas, Monteiro escreveu: “A altura do vão é 2,45m”. Na sequência, Guilherme respondeu apenas: “Perfeito”.

Para a Polícia Federal, a conversa não fazia referência a questões técnicas ou de engenharia. Os investigadores sustentam que a expressão “2,45m” seria uma alusão ao valor atribuído ao imóvel, estimado em R$ 2,45 milhões.

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, as tratativas relacionadas ao apartamento continuaram ocorrendo por meio de reuniões presenciais, chamadas telefônicas, videoconferências e trocas de documentos.

A PF aponta que Daniel Lopes Monteiro atuava na elaboração de minutas e documentos destinados à reorganização jurídica do imóvel. Já Guilherme Sodré seria responsável pela interlocução entre pessoas ligadas ao senador e integrantes do núcleo empresarial investigado.

De acordo com os investigadores, o grupo recorria com frequência a encontros presenciais, ligações telefônicas e formas de comunicação consideradas de difícil rastreamento, com o objetivo de reduzir a exposição das conversas.

O apartamento localizado no empreendimento Poème Horto, em Salvador, é apontado como um dos principais focos da investigação.

Conforme os autos, em novembro de 2024, Jaques Wagner teria enviado ao empresário Augusto Ferreira Lima, citado nas apurações do Banco Master, o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento, indicando a unidade desejada.

Na mensagem, segundo a investigação, o senador informou que o imóvel de interesse era a unidade 1702 e acrescentou: “o preço é 2,45 mi”.

Após o contato, Augusto Ferreira Lima teria acionado Valério Marega Júnior, conhecido como “Valério Fundos”, apontado pela Polícia Federal como participante da estrutura financeira relacionada à aquisição do imóvel.

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