As investigações da Polícia Federal sobre o caso Banco Master identificaram uma troca de mensagens que, segundo os investigadores, pode ter sido utilizada para ocultar referências a um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões associado ao senador Jaques Wagner (PT-BA).
O diálogo ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro ligado ao grupo investigado, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”, descrito pela PF como pessoa de confiança do senador e pai de seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins.
Em uma das mensagens analisadas, Monteiro escreveu: “A altura do vão é 2,45m”. Na sequência, Guilherme respondeu apenas: “Perfeito”.
Para a Polícia Federal, a conversa não fazia referência a questões técnicas ou de engenharia. Os investigadores sustentam que a expressão “2,45m” seria uma alusão ao valor atribuído ao imóvel, estimado em R$ 2,45 milhões.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, as tratativas relacionadas ao apartamento continuaram ocorrendo por meio de reuniões presenciais, chamadas telefônicas, videoconferências e trocas de documentos.
A PF aponta que Daniel Lopes Monteiro atuava na elaboração de minutas e documentos destinados à reorganização jurídica do imóvel. Já Guilherme Sodré seria responsável pela interlocução entre pessoas ligadas ao senador e integrantes do núcleo empresarial investigado.
De acordo com os investigadores, o grupo recorria com frequência a encontros presenciais, ligações telefônicas e formas de comunicação consideradas de difícil rastreamento, com o objetivo de reduzir a exposição das conversas.
O apartamento localizado no empreendimento Poème Horto, em Salvador, é apontado como um dos principais focos da investigação.
Conforme os autos, em novembro de 2024, Jaques Wagner teria enviado ao empresário Augusto Ferreira Lima, citado nas apurações do Banco Master, o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento, indicando a unidade desejada.
Na mensagem, segundo a investigação, o senador informou que o imóvel de interesse era a unidade 1702 e acrescentou: “o preço é 2,45 mi”.
Após o contato, Augusto Ferreira Lima teria acionado Valério Marega Júnior, conhecido como “Valério Fundos”, apontado pela Polícia Federal como participante da estrutura financeira relacionada à aquisição do imóvel.
