Líder e více-líder do governo enrolados com os dois maiores escândalos no Brasil
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Líder e více-líder do governo enrolados com os dois maiores escândalos no Brasil

Jaques Wagner é alvo da operação sobre o Banco Master, enquanto Weverton Rocha aparece em nova fase da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS

senador Weverton (PDT-MA); líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA)
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O líder do governo do presidente Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o vice-líder, Weverton Rocha (PDT-MA), passaram a ocupar posição central em duas das maiores investigações em curso no país. Nesta quinta-feira (18), ambos foram alvo de operações da Polícia Federal relacionadas, respectivamente, ao escândalo do Banco Master e ao esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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As ações foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ampliam a pressão sobre integrantes da base governista em meio ao avanço das apurações.

No caso de Jaques Wagner, a Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirma que Wagner é apontado pelos investigadores como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, sendo o agente público que teria sido favorecido por pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais suspeitas.

Segundo a PF, o senador teria mantido interlocução frequente com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e também alvo da operação. Os investigadores apuram se houve contrapartidas políticas em benefício do Banco Master.

Entre os principais pontos sob investigação estão a aquisição de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões em Salvador, repasses financeiros a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador e sua suposta atuação em pautas legislativas de interesse da instituição financeira.

Um dos episódios destacados é a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada durante a tramitação da PEC 65/2023 que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida teria potencial para beneficiar diretamente o modelo de negócios adotado pelo banco.

De acordo com a investigação, no mesmo dia em que a emenda foi protocolada, Augusto Ferreira Lima telefonou para Jaques Wagner e, logo depois, encaminhou ao senador o texto da proposta. Dias mais tarde, após um encontro presencial, o conteúdo foi reenviado.

A Polícia Federal sustenta que Wagner “não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

Além da emenda, os investigadores apontam trocas de mensagens sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, discussões sobre o limite de cobertura do FGC, temas relacionados ao crédito consignado e requerimentos parlamentares envolvendo o banco.

A PF também apura supostos benefícios recebidos pelo senador, incluindo o uso de aeronaves privadas vinculadas ao grupo investigado e ingressos para shows internacionais que teriam custado mais de R$ 63 mil.

Durante a operação desta quinta-feira, agentes apreenderam aproximadamente US$ 55 mil e € 33,5 mil em endereços ligados ao parlamentar. Jaques Wagner reconheceu ser o proprietário dos valores e afirmou que os recursos têm origem lícita, relacionados a viagens internacionais e aquisição regular de moeda estrangeira.

Em entrevista após a operação, o senador negou qualquer favorecimento ao Banco Master e declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para prestar solidariedade.

“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe o meu jeito de agir”, afirmou.

Vice-líder é citado em investigação sobre o INSS

Weverton também está entre os nomes associados a um dos maiores escândalos recentes envolvendo recursos públicos: o esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto.

O parlamentar chegou a ser citado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Em seu relatório final, o relator do colegiado, senador Alfredo Gaspar (União-AL), recomendou o indiciamento de Weverton Rocha sob a alegação de que elementos reunidos durante as investigações apontariam para sua ligação com personagens centrais do esquema.

O parecer, no entanto, acabou rejeitado após intensa articulação de parlamentares da base governista, impedindo o avanço das recomendações apresentadas pela comissão.

Segundo a PF, os elementos reunidos ao longo da apuração levaram os investigadores à conclusão de que Weverton atuaria como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema bilionário de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões.

A PF também sustenta que o senador teria sido beneficiário de operações financeiras ligadas ao grupo investigado. Entre os elementos citados pelos investigadores estão registros financeiros, uma planilha intitulada “Grupo Senador Weverton” e fotografias que, segundo a corporação, demonstrariam a proximidade do parlamentar com pessoas e bens relacionados ao núcleo sob investigação.

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