Investigadores ligados à Operação Sem Desconto criticaram os pedidos feitos ao Supremo Tribunal Federal para enviar ao tribunal as apurações sobre os roubos em aposentadorias do INSS. O principal incômodo é que a representação foi feita por um delegado que não integra a equipe responsável pela investigação.
Rafael Dantas, delegado da Superintendência da PF em São Paulo, pediu o envio dos inquéritos ao STF com base em possíveis conexões com outro caso sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Para membros da corporação, ele não tem conhecimento suficiente sobre o conteúdo das investigações em curso.
Na Controladoria-Geral da União, que também participa da operação, causou surpresa outro pedido. A solicitação partiu da ONG Instituto Oceano Azul e foi direcionada ao ministro André Mendonça. A entidade apontou supostas práticas abusivas no INSS, mas a CGU destacou que os descontos foram suspensos após a deflagração da operação.
O caso está sendo investigado por seis delegados da PF, distribuídos em regiões como o Distrito Federal, Sergipe, Ceará, São Paulo e Minas Gerais. As ações tramitam em diferentes varas federais, conforme a localização das associações envolvidas. A centralização no STF transferiria decisões como buscas, bloqueios e prisões a um único ministro.
Apesar de não integrar a equipe da operação, Rafael Dantas alegou relação entre o caso e um inquérito que envolve o advogado Tacla Duran. Segundo a petição enviada por Dantas, Duran teria mencionado, em depoimento de 2023, que assessores de Sergio Moro, então indicado como ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, teriam pedido vantagens indevidas.
O delegado também mencionou que uma das entidades investigadas na Sem Desconto teria sido procurada por assessores de Moro e doado à campanha de Onyx Lorenzoni ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022. Além disso, citou o deputado Fausto Pinato (PP-SP), afirmando que ele alugou um escritório no mesmo endereço de uma empresa sob investigação.
Toffoli, inicialmente, não viu ligação entre os dois casos, mas solicitou à PF o compartilhamento dos inquéritos devido à menção de políticos. Ele pode decidir se o caso deve ou não permanecer no STF.
Já o ministro André Mendonça recebeu informações solicitadas à CGU, ao TCU e ao INSS, e analisa o material para futura decisão.
Onyx Lorenzoni negou as acusações. Disse que sua campanha foi feita dentro da lei e que as contas foram 100% aprovadas. “Mesmo assim, um delegado da PF incluiu essa mentira numa petição ao STF — misturando fatos e criando confusão”, afirmou.
O deputado Fausto Pinato também negou qualquer relação com o caso. Segundo ele, a empresa citada encerrou as atividades em agosto de 2023, meses antes de ele alugar o imóvel, em janeiro de 2024.
