Fraudes no INSS: PF aponta Danielle Fonteneles como operadora no exterior
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Fraudes no INSS: PF aponta Danielle Fonteneles como operadora no exterior

Danielle é apontada como a executora das operações do grupo em Portugal
Foto: Reprodução.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Relatório aponta que ela teria recebido R$ 13,1 milhões provenientes do “Careca do INSS”

A Polícia Federal identificou a publicitária e empresária Danielle Miranda Fonteneles como uma das principais responsáveis pela articulação internacional da organização criminosa investigada na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Danielle é apontada como a executora das operações do grupo em Portugal, atuando na movimentação de recursos e na intermediação de negócios imobiliários no exterior. Segundo a PF, ela teria recebido R$ 13,1 milhões provenientes de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A defesa de Danielle sustenta que os valores recebidos estariam relacionados à negociação de um imóvel em Trancoso (BA), avaliado em cerca de R$ 13 milhões, cujo pagamento ocorreria de forma parcelada.

No entanto, a PF afirma que a transação não foi efetivamente concluída e que o distrato contratual ocorreu após a deflagração da primeira fase da operação, o que levantou suspeitas sobre a versão apresentada.

Além disso, a corporação aponta que os valores movimentados “não se mostram compatíveis com a documentação apresentada, sobretudo porque o negócio jurídico não foi efetivamente concluído, resultando em um montante recebido aparentemente superior ao valor do imóvel.”

Portanto, há indícios de que a suposta negociação imobiliária teve como objetivo simular legalidade e mascarar a real natureza da relação financeira entre os investigados.

Consultora do “Careca do INSS”

As investigações mostram que, em maio de 2024, Danielle foi formalmente contratada por Antônio Camilo como consultora, com remuneração mensal fixada em euros. Já no início de 2025, segundo a autoridade policial, ela passou a intermediar operações financeiras no exterior:

“ANTÔNIO CAMILO realizou operações de câmbio de remessa de dinheiro para aquisição de um imóvel de alto padrão em PORTUGAL, com intermediação de DANIELLE MIRANDA FONTELES, registrando como comprador seu filho ROMEU.”

Em Portugal, Danielle utilizava a empresa Coreto Tropical Ltda., da qual é sócia e gerente, para o recebimento de recursos financeiros. O relatório também aponta trocas de mensagens que indicariam pagamentos mensais e proximidade operacional com outros integrantes do grupo.

Em uma conversa citada pela PF, Danielle questiona a ausência de um pagamento e pergunta se Antônio Camilo ou seu filho levariam o dinheiro pessoalmente ao país europeu, o que, segundo a corporação, “corrobora os vínculos próximos entre DANIELLE, MILTON, ANTÔNIO CAMILO e ROMEU”.

“As condutas atribuídas evidenciam que DANIELLE desempenha papel sofisticado dentro da engrenagem de lavagem de capitais de ANTÔNIO, operando em múltiplas frentes: financeira, empresarial, imobiliária e internacional”, diz o trecho.

O documento destaca ainda que ela era mencionada pelo principal investigado como sua “sócia de Portugal”, expressão que, segundo a PF, reforça o grau de confiança e centralidade de sua atuação no esquema.

Histórico político

Danielle Fonteneles ganhou projeção nacional como fundadora da agência Pepper Comunicação, que atuou em campanhas eleitorais de grande visibilidade, incluindo disputas presidenciais. Ela também teve participação em campanhas do PT, como a eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

Seu nome já havia aparecido em investigações da Operação Lava Jato, nas quais firmou acordo de colaboração e relatou supostos esquemas de caixa dois envolvendo campanhas eleitorais do partido.

Mais recentemente, Danielle também foi citada em apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

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