Romeu Antunes teria passado a gerir empresas e intermediar contatos após prisão do pai
O filho de Antônio Carlos Camilo Antunes — o “Careca do INSS” —, Romeu Carvalho Antunes, foi preso nesta quinta-feira (18) na Operação Sem Desconto e passou a atuar como “sucessor” do pai na condução do esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo a Polícia Federal.
O pai de Romeu foi detido em setembro, apontado como principal operador do esquema que desviava recursos de aposentados e pensionistas. De acordo com o documento da PF, “a partir da deflagração da ‘Operação Sem Desconto’ e do desgaste público enfrentado por seu pai, Romeu passou a atuar como preposto e sucessor operacional”.
Entre as funções atribuídas a Romeu, a PF destaca:
- Gestão de empresas utilizadas na lavagem, como WORLD CANNABIS, BSB CONSULTING e AMIGO CENTER;
- Criação de novas pessoas jurídicas para substituição de empresas vinculadas ao pai, como V4NK Soluções e 4RCK3R Soluções;
- Intermediação de comunicação entre Antônio e demais investigados, burlando determinação judicial que impedia contatos
- Dilapidação e ocultação de bens, incluindo veículos de luxo, embarcações e imóveis;
- Condução de negociações no exterior, especialmente nos EUA e Portugal;
- Encaminhamento de ordens de pagamento, entrega de documentos e regularização de empresas.
O documento também detalha a atuação internacional de Romeu.
“No desempenho da função de gestor de negócios ilícitos do pai, Romeu comandava reuniões com notários nos EUA; procedia à abertura de novas empresas destinadas a substituir entidades comprometidas; movimentava recursos em espécie retirados de cofres (‘peguei 360 no cofre’); organizava quadros de funcionários e exames admissionais para a AMIGO CENTER”.
Segundo a PF, Romeu participava ativamente em operações de lavagem de capitais, com “criação de empresas de fachada; simulação de operações imobiliárias; participação em compras e vendas via concessionária AIELO Motors, utilizada como canal de ocultação patrimonial”.
O documento ressalta ainda que ele “dolosamente descumpria restrição judicial imposta ao pai, servindo de ponte para a comunicação entre Antônio e investigados como Rubens, Domingos e Alexandre Guimarães”.
